Onde foi que eu perdi minhas certezas? Ela perguntou para ele. Ele só sorriu, ela não estava falando com ele, mas era para ele que olhava, enquanto fazia a pergunta. Ele poderia responder, preferiu sorrir. Ela estava cansada de procurar, sabia que tinha deixado suas certezas por ali. Mas já tinha olhado nas gavetas, na mesinha da sala, ao lado do computador... Ela se lembrava de ainda estar com as suas certezas, todas elas, no momento que escrevia aquele maldito e-mail. Era uma lembrança nítida: ela sentada, cheia de certeza, seus dedos rápidos digitando palavras contundentes, frases cheias de efeitos, usou algumas metáforas, mas não abusou delas, afinal, estava com suas certezas e com certezas não são necessárias metáforas. Depois de escrever sentiu sede, foi até a cozinha. Mas já havia procurado na cozinha, suas certezas não estavam ali também. Onde ela poderia ter deixado??? Depois foi para o quarto, mas a lembrança do quarto não era tão nítida, as certezas não estavam tão certas. Ela se lembra disso porque ao se jogar na cama, pensou: mas eu tinha certeza, não tinha? Era isso, ela havia perdido suas certezas entre o computador, a cozinha e o quarto. Já havia refeito o caminho diversas vezes e nada.
Ele ouviu com atenção toda história, sorriu mais uma vez, deu um beijo bem de leve na sua boca despida de certezas e foi embora. Ela ficou ali, parada, sem saber o que fazer, já não tinha mais certezas.
quinta-feira, 12 de novembro de 2009
segunda-feira, 9 de novembro de 2009
Uma confissão, enquanto voltamos para ficar.
Andei ausente, mas se me perguntar onde fui, não saberei responder. Não estava aqui e tampouco sei onde estive. Escolhi o silêncio para morar por um tempo, confesso que é uma grande tentação continuar por lá, mas sei que ainda não posso. Não chegou a hora. Queria ter as palavras certas para explicar o que se passa aqui dentro. Pensei em partir, deixar esse espaço, porque era ela que falava e não eu, e por ser ela, eu podia falar o que bem entendesse, era libertador. Até o dia que resolvi reivindicar esse espaço para mim, eu é que queria falar, não mais ela. Mas ela não era eu? Não, não somos a mesma. E era esse o tênue equilíbrio que mantinha tudo funcionando. Percebo, agora, nesse exato momento que escrevo, que no meio do caminho me perdi, perdi a voz. E ela se calou. Não queria usar a minha voz, queria a dela de volta. Ela é uma porção muito preciosa, matá-la é matar o que me salva. Ela é o caixa dois, o lado B, o heterônimo. Preciso disso como preciso do ar que respiro.
sexta-feira, 23 de outubro de 2009
Aprendendo a dizer adeus...
- Adeus!
ainda estou aprendendo, mas já consigo repetir
-Adeus!
desapego, let it go ... it go.
eu?
eu fico!
ainda estou aprendendo, mas já consigo repetir
-Adeus!
desapego, let it go ... it go.
eu?
eu fico!
quarta-feira, 21 de outubro de 2009
Meu aniversário.
Hoje é meu aniversário. Gosto muito de aniversários, apesar de nem sempre querer comemorar com festa, bolo e pessoas, todo ano celebro a vida. Acho que tenho a obrigação de agradecer. Lógico que existem problemas, uns bem grandes, surpresas que a vida nos reserva, cirurgias de uns, problemas financeiros de outros, diferenças de muitos, amigos que partem, pessoas que vão... Mas os amigos que voltam, os novos amigos que surgem, as oportunidades e soluções, os bons resultados são motivos suficientes para celebrar a vida.
Aniversário pra mim é como um ano novo particular, hoje começa meu novo ano. Novas resoluções, ideias, sonhos, ideais renovados, esperança de poder fazer diferente, e principalmente, a chance de fazer melhor. Queria agradecer pelas palavras boas de novos amigos, de velhos amigos que ressurgiram e de grandes amigos que estão sempre por perto. Tenho 365 dias pela frente, isso é uma baita de uma responsabilidade e uma delícia sem tamanho.
Aniversário pra mim é como um ano novo particular, hoje começa meu novo ano. Novas resoluções, ideias, sonhos, ideais renovados, esperança de poder fazer diferente, e principalmente, a chance de fazer melhor. Queria agradecer pelas palavras boas de novos amigos, de velhos amigos que ressurgiram e de grandes amigos que estão sempre por perto. Tenho 365 dias pela frente, isso é uma baita de uma responsabilidade e uma delícia sem tamanho.
domingo, 18 de outubro de 2009
Enquanto isso ...
Há algo, aqui dentro, que parece ter vida própria, acorda nas horas mais improváveis e sussurra verdades inconvenientes. Esse algo, que aqui habita, precisa ter seus desejos sempre satisfeitos, caso contrário, permanecem em pauta. Não há descanso, não há ponto cego. Fica-se a mercê de seus devaneios, vontades, prazeres. Já tentei negociar, sem sucesso...
"O que será que será,
que dá dentro da gente
que não devia????"
"O que será que será,
que dá dentro da gente
que não devia????"
quinta-feira, 15 de outubro de 2009
Na vanguarda.
Ela andava muito perceptiva, intuitiva. Os pensamentos pareciam borbulhar dentro dela. Ela sabia, mesmo sem saber como, sabia. E, por algum tempo, bastou. Ela estava ali, em pé, esperando, porque queria esperá-lo, gostava de saber que podia esperar o tempo que quisesse. Era dona do seu tempo, do seu desejo. Podia fazer o que bem entendesse e fazia. Ela não se importava com o tempo dos outros, queria fazer os caminhos se cruzarem, queria uma brecha no tempo-espaço dele, queria poder existir ao mesmo tempo que ele, mas sabia que por hora isso não era possível. Eles não poderiam coexistir, mas existiam. Mesmo sem poder existir. A própria existência dela era um desafio à existência dele. Mas o coração no peito que batia descompassado era prova mais do que suficiente de que existiam, duas almas. Ela e ele, ambos sabiam.
Ela aguardava que um dia ele entendesse o que tinha para oferecer. Era precioso demais para não ser valorizado, mas não é isso vanguarda?
Ela aguardava que um dia ele entendesse o que tinha para oferecer. Era precioso demais para não ser valorizado, mas não é isso vanguarda?
Sou toda ouvidos.
Não sou dada a tristeza, não gosto de falar dela e muito menos escrever sobre ela. Quando estou triste fico em casa, não acho de bom tom exibir tristeza por ai. Mas, o fato, é que hoje percebi que estou triste. Não é uma tristeza doída e sufocante, é só uma tristeza triste. Há algum tempo ignoraria essa pontinha de tristeza, não deixaria ela se aproximar, sei que posso fazer isso. Dessa vez não quero. Esses dias me disseram que a tristeza pode ser uma excelente mestra, hoje escolhi aprender com ela. Pode vir que "sou toda ouvidos".
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