Dear,
Eu sei que não prometi que escreveria, não fizemos promessas quanto a isso durante essa viagem maluca. Nem cheguei ainda. A jornada é longa. O caminho nem sempre é fácil, nunca achei que seria, mas muitas vezes me pergunto o que estou fazendo aqui sozinha. Meus olhos estão diferentes, consigo ver coisas lindas, outras nem tanto. Tenho vontade de compartilhar detalhes que só você entenderia, como o cheiro que eu senti no meio do nada ontem, ou a cor que resolvi pintar as unhas, o trecho do livro que eu queria ler mil vezes em voz alta, detalhes sem importância, mas que eu queria que você soubesse. Tenho sonhado muito, sonhos estranhos, sonhos com bocas sendo beijadas, acordo assustada, refaço o caminho, me desmancho no lençol até entender que é só um sonho ruim. Mas, e a vida, não é?
Essa noite não dormi, tive insônia, vaguei pela casa, dormi já clareando, acordei com o dia cinza e triste. Não poderia refletir melhor o que tenho por dentro. Não, a jornada não está sendo triste, não pense assim. Mas está sendo extremamente dificil, dolorida, mas, e a vida, não é?
Tenho certeza que um dia de caminhada e uma boa noite de sono irão desfazer essa sensação e a próxima carta será mais feliz. Não vou fazer promessa. Não fizemos promessa quanto a nada nessa viagem maluca.
Fique com meu amor,
C.
sexta-feira, 1 de junho de 2012
quarta-feira, 30 de maio de 2012
A relatividade da vida, do excesso e do que faz muita falta.
Ela olhou encantada pra tela do seu computador. Sorriu.
- O que foi?
- Recebi um email que me deixou feliz.
- E o estava escrito?
- Nada.
- E porque você está sorrindo feito uma boba?
- Por tudo.
- O que foi?
- Recebi um email que me deixou feliz.
- E o estava escrito?
- Nada.
- E porque você está sorrindo feito uma boba?
- Por tudo.
terça-feira, 29 de maio de 2012
Tinta Invisível
Escrever sem palavras é uma arte que poucas pessoas dominam. Entender que linhas em branco dizem muitas mais que mil palavras é para privilegiados. Transbordar pela ponta dos dedos sentimentos e ainda assim silenciar é ato de amor.
domingo, 27 de maio de 2012
O tempo se conta como?
O tempo se conta como? Mississipis? Dias? Meses? Anos? Séculos? Vidas? Já não sei. Tenho a nítida impressão que nos últimos dias (ou será que foram anos?) o tempo parou. Ou mudou. Passei a contar pelo número de palavras não ditas e guardadas para dizer depois. Ou pelo número de vezes que acessei faminta suas palavras. Já nem sei que dia é hoje. Nem sei se quero saber. O dia de hoje não me interessa, vivo no amanhã. Tenho um cofrinho onde deposito, como moedas de ouro, as palavras que vou dizer. É um cofre alado. Adoro o Icloud, acho lindo guardar segredos nas nuvens. Adoro ter poesia. Até em tecnologia há poesia. Não há? Meu cofre? Nas nuvens. Eu? Por ai, contando o tempo. Faminta que ando.
Basta apagar a luz, na hora de dormir, e imediatamente dois vagalumes aparecem no meu quarto, um par, dois seres alados, verde-vagalume que é verde especifico, feito olhos que me observam, olhos que sei que estão abertos, mesmo àquela hora, mesmo a qualquer hora. Eu? Por aqui, contando o tempo. Faminta que ando.
E choveu. Fingi que não vi, aliás, tenho chovido tanto, por todos os lugares que ando, faminta, contanto o tempo, chovo.
Então, o tempo? Não se conta. Eu? Faminta que ando.
Basta apagar a luz, na hora de dormir, e imediatamente dois vagalumes aparecem no meu quarto, um par, dois seres alados, verde-vagalume que é verde especifico, feito olhos que me observam, olhos que sei que estão abertos, mesmo àquela hora, mesmo a qualquer hora. Eu? Por aqui, contando o tempo. Faminta que ando.
E choveu. Fingi que não vi, aliás, tenho chovido tanto, por todos os lugares que ando, faminta, contanto o tempo, chovo.
Então, o tempo? Não se conta. Eu? Faminta que ando.
domingo, 6 de maio de 2012
Se eu fosse esperta.
Escrevi mil palavras imaginárias, ou imaginei mil palavras escritas. Mas mesmo assim, não consegui explicar. Depois de tanto tempo, se eu fosse realmente esperta, como você acha que sou, eu já teria parado de tentar, explicar é perder tempo. E tempo, não temos. Se a Sapucaí é grande, a vida, não é. E o tempo urge. Feito areia escorrendo. Feito folhinha rabiscada, feito estação passando, do calor ao frio, flores, folhas, do calor ao frio, flores e folhas e assim, até o fim. Não o nosso. O nosso é só o começo, porque nunca deixou de ser. Mudou, lógico. Mas é o começo, contrariando a ordem: muda-se, porque passa. O tempo passa, mas não muda. Ainda somos os mesmos. Os mesmos dos olhos, das mãos, do vestido branco, do cachecol azul ou verde, nunca sei. Ainda somos os mesmo, da chuva, dos vagalumes, das folhas, do bosque. Do coração que canta. E quando você canta, eu, coração, inteira. Os mesmos que almas falam, almas veem, almas. E corpo, um só. Almas. Corpo. Se eu fosse esperta, como eu acho que sou. Não estaria aqui. Desse lado. Estaria ai. Dentro.
segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012
Formatar de novo.
Sofro de excesso de palavras. E nada em excesso pode ser bom. Porque não cabe aqui. Dói. Palavras falam. Não há silêncio quando há palavras. Mesmo que a palavra seja silêncio. Mesmo essa, fala. Queria fechar os olhos, tirar a roupa, despir o ego e ouvir meu coração bater em silêncio. Queria me reduzir a essência e de novo partir. Não ao contrario, não queria que a busca de uma vida fosse pela essência do que sou. Porque sou, ou fui, antes do caminho. E só depois, perdi pelo caminho o que fui ou sou.
Queria ser simples. Muito simples.
Queria formatar de novo.
Queria ser simples. Muito simples.
Queria formatar de novo.
domingo, 27 de novembro de 2011
sábado, 26 de novembro de 2011
O Bom Senso, a saída e o óbvio.
Voltar nunca é fácil, mas pode ser a única saída.
Principalmente quando parece não haver outra saída.
Pensamento redundante, sair pela saída.
Mas nem sempre o óbvio é fácil.
Não é bom senso, aliás, bom senso é sempre um pouco triste, talvez por não ser nunca ótimo.
Queria ser intensa, mas por hora, basta-me voltar, achar a saída e ser boa, não ótima.
Principalmente quando parece não haver outra saída.
Pensamento redundante, sair pela saída.
Mas nem sempre o óbvio é fácil.
Não é bom senso, aliás, bom senso é sempre um pouco triste, talvez por não ser nunca ótimo.
Queria ser intensa, mas por hora, basta-me voltar, achar a saída e ser boa, não ótima.
sexta-feira, 25 de novembro de 2011
Das linhas às entrelinhas.
É olhando pra trás que conseguimos olhar pra frente. Resolvi refazer meus passos, queria entender onde exatamente as coisas se perderam. Não, não foram as coisas, fui eu. Onde exatamente eu me perdi. Errei o caminho, peguei o desvio, escolhi o atalho errado.
Não poderia ser diferente, refiz o caminho pelas palavras. Essas palavras.
E ao percorrer o mesmo caminho com outros olhos, meu coração apertou. Percebi que em algum momento entristeci... entristecemos. Não sei precisar quando, mas o que foi chamado de esquizofrenia, na verdade, foi tristeza se instalando. Não percebemos de imediato.
Ao reler, quis desesperadamente reter todo sentimento, voltar no tempo, sentir as benções do antes, da descoberta. oqueéissoqueháentrenós? Queria ler em voz alta para que você escutasse ai. Queria de alguma forma alcançar o ontem, antes do desvio.
Tenho uma missão. E a minha matéria prima são as palavras. Refazer o caminho, explicar pra mim, entender, ler, reler, buscar respostas e fazer mil perguntas.
2011 ainda não acabou, e ao escrever em linhas tortas, espero chegar às entrelinhas.
voltei.
Não poderia ser diferente, refiz o caminho pelas palavras. Essas palavras.
E ao percorrer o mesmo caminho com outros olhos, meu coração apertou. Percebi que em algum momento entristeci... entristecemos. Não sei precisar quando, mas o que foi chamado de esquizofrenia, na verdade, foi tristeza se instalando. Não percebemos de imediato.
Ao reler, quis desesperadamente reter todo sentimento, voltar no tempo, sentir as benções do antes, da descoberta. oqueéissoqueháentrenós? Queria ler em voz alta para que você escutasse ai. Queria de alguma forma alcançar o ontem, antes do desvio.
Tenho uma missão. E a minha matéria prima são as palavras. Refazer o caminho, explicar pra mim, entender, ler, reler, buscar respostas e fazer mil perguntas.
2011 ainda não acabou, e ao escrever em linhas tortas, espero chegar às entrelinhas.
voltei.
segunda-feira, 24 de outubro de 2011
You are my sunshine.
Como é simples, pensou. Ela não entendia porque insistia em complicar. Ser feliz pode ser tão simples. Aspirou aquele cheiro, o cheiro dele. Fechou os olhos. Agora deu para imaginar coisas. Cheiros. Olhou ao redor, estava sozinha. O cheiro dele, saído sabe lá de onde, lhe fazia companhia. Nunca mais se sentiu sozinha, como poderia? Ele estava sempre com ela. Era uma presença concreta. Não conseguia explicar, as pessoas riam dela sempre que tentava. Sincronicidade era pouco, eles se ouviam e sentiam o que o outro sentia. Parecia piegas, mas não era. Era o que eles tinham. E, às vezes, por se ter, deixa-se de valorizar. Não que não valorizassem, mas é que o resto, o mundo, as dores, a falta ... começou a fazer morada no que tinham que mais sagrado, eles não perceberam. Até que um dia ela disse: é tão simples ser feliz, basta um olhar atento ao que se tem. Basta abrir o coração e sentir. Eles possuíam o que era mais difícil nesse mundo, quanto ao resto, dariam um jeito. Ela tinha certeza.
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