Eu poderia ter acordado boazinha, vestido uma roupa confortável e ido caminhar no parque, como tenho feito todo dia # só que não.
Eu poderia ter concordado com você, e dessa forma ter achado que assim é porque é # só que não.
Eu poderia ter ignorado a fúria das palavras que insistiam em chegar até você # só que não.
Eu poderia ter gritado no meio da chuva de ontem e molhado as palavras, essas mesmas que driblaram a promessa não feita # só que não.
Eu poderia ter ficado sem luz, sem wi fi, sem 3g, e principalmente sem vontade # só que não.
Eu poderia ter ido dormir sem inundar em vão palavras que ficarão para sempre aqui # só que não.
Azar o meu # só que não.
sábado, 2 de junho de 2012
sexta-feira, 1 de junho de 2012
Carta no meio da Jornada
Dear,
Eu sei que não prometi que escreveria, não fizemos promessas quanto a isso durante essa viagem maluca. Nem cheguei ainda. A jornada é longa. O caminho nem sempre é fácil, nunca achei que seria, mas muitas vezes me pergunto o que estou fazendo aqui sozinha. Meus olhos estão diferentes, consigo ver coisas lindas, outras nem tanto. Tenho vontade de compartilhar detalhes que só você entenderia, como o cheiro que eu senti no meio do nada ontem, ou a cor que resolvi pintar as unhas, o trecho do livro que eu queria ler mil vezes em voz alta, detalhes sem importância, mas que eu queria que você soubesse. Tenho sonhado muito, sonhos estranhos, sonhos com bocas sendo beijadas, acordo assustada, refaço o caminho, me desmancho no lençol até entender que é só um sonho ruim. Mas, e a vida, não é?
Essa noite não dormi, tive insônia, vaguei pela casa, dormi já clareando, acordei com o dia cinza e triste. Não poderia refletir melhor o que tenho por dentro. Não, a jornada não está sendo triste, não pense assim. Mas está sendo extremamente dificil, dolorida, mas, e a vida, não é?
Tenho certeza que um dia de caminhada e uma boa noite de sono irão desfazer essa sensação e a próxima carta será mais feliz. Não vou fazer promessa. Não fizemos promessa quanto a nada nessa viagem maluca.
Fique com meu amor,
C.
Eu sei que não prometi que escreveria, não fizemos promessas quanto a isso durante essa viagem maluca. Nem cheguei ainda. A jornada é longa. O caminho nem sempre é fácil, nunca achei que seria, mas muitas vezes me pergunto o que estou fazendo aqui sozinha. Meus olhos estão diferentes, consigo ver coisas lindas, outras nem tanto. Tenho vontade de compartilhar detalhes que só você entenderia, como o cheiro que eu senti no meio do nada ontem, ou a cor que resolvi pintar as unhas, o trecho do livro que eu queria ler mil vezes em voz alta, detalhes sem importância, mas que eu queria que você soubesse. Tenho sonhado muito, sonhos estranhos, sonhos com bocas sendo beijadas, acordo assustada, refaço o caminho, me desmancho no lençol até entender que é só um sonho ruim. Mas, e a vida, não é?
Essa noite não dormi, tive insônia, vaguei pela casa, dormi já clareando, acordei com o dia cinza e triste. Não poderia refletir melhor o que tenho por dentro. Não, a jornada não está sendo triste, não pense assim. Mas está sendo extremamente dificil, dolorida, mas, e a vida, não é?
Tenho certeza que um dia de caminhada e uma boa noite de sono irão desfazer essa sensação e a próxima carta será mais feliz. Não vou fazer promessa. Não fizemos promessa quanto a nada nessa viagem maluca.
Fique com meu amor,
C.
quarta-feira, 30 de maio de 2012
A relatividade da vida, do excesso e do que faz muita falta.
Ela olhou encantada pra tela do seu computador. Sorriu.
- O que foi?
- Recebi um email que me deixou feliz.
- E o estava escrito?
- Nada.
- E porque você está sorrindo feito uma boba?
- Por tudo.
- O que foi?
- Recebi um email que me deixou feliz.
- E o estava escrito?
- Nada.
- E porque você está sorrindo feito uma boba?
- Por tudo.
terça-feira, 29 de maio de 2012
Tinta Invisível
Escrever sem palavras é uma arte que poucas pessoas dominam. Entender que linhas em branco dizem muitas mais que mil palavras é para privilegiados. Transbordar pela ponta dos dedos sentimentos e ainda assim silenciar é ato de amor.
domingo, 27 de maio de 2012
O tempo se conta como?
O tempo se conta como? Mississipis? Dias? Meses? Anos? Séculos? Vidas? Já não sei. Tenho a nítida impressão que nos últimos dias (ou será que foram anos?) o tempo parou. Ou mudou. Passei a contar pelo número de palavras não ditas e guardadas para dizer depois. Ou pelo número de vezes que acessei faminta suas palavras. Já nem sei que dia é hoje. Nem sei se quero saber. O dia de hoje não me interessa, vivo no amanhã. Tenho um cofrinho onde deposito, como moedas de ouro, as palavras que vou dizer. É um cofre alado. Adoro o Icloud, acho lindo guardar segredos nas nuvens. Adoro ter poesia. Até em tecnologia há poesia. Não há? Meu cofre? Nas nuvens. Eu? Por ai, contando o tempo. Faminta que ando.
Basta apagar a luz, na hora de dormir, e imediatamente dois vagalumes aparecem no meu quarto, um par, dois seres alados, verde-vagalume que é verde especifico, feito olhos que me observam, olhos que sei que estão abertos, mesmo àquela hora, mesmo a qualquer hora. Eu? Por aqui, contando o tempo. Faminta que ando.
E choveu. Fingi que não vi, aliás, tenho chovido tanto, por todos os lugares que ando, faminta, contanto o tempo, chovo.
Então, o tempo? Não se conta. Eu? Faminta que ando.
Basta apagar a luz, na hora de dormir, e imediatamente dois vagalumes aparecem no meu quarto, um par, dois seres alados, verde-vagalume que é verde especifico, feito olhos que me observam, olhos que sei que estão abertos, mesmo àquela hora, mesmo a qualquer hora. Eu? Por aqui, contando o tempo. Faminta que ando.
E choveu. Fingi que não vi, aliás, tenho chovido tanto, por todos os lugares que ando, faminta, contanto o tempo, chovo.
Então, o tempo? Não se conta. Eu? Faminta que ando.
domingo, 6 de maio de 2012
Se eu fosse esperta.
Escrevi mil palavras imaginárias, ou imaginei mil palavras escritas. Mas mesmo assim, não consegui explicar. Depois de tanto tempo, se eu fosse realmente esperta, como você acha que sou, eu já teria parado de tentar, explicar é perder tempo. E tempo, não temos. Se a Sapucaí é grande, a vida, não é. E o tempo urge. Feito areia escorrendo. Feito folhinha rabiscada, feito estação passando, do calor ao frio, flores, folhas, do calor ao frio, flores e folhas e assim, até o fim. Não o nosso. O nosso é só o começo, porque nunca deixou de ser. Mudou, lógico. Mas é o começo, contrariando a ordem: muda-se, porque passa. O tempo passa, mas não muda. Ainda somos os mesmos. Os mesmos dos olhos, das mãos, do vestido branco, do cachecol azul ou verde, nunca sei. Ainda somos os mesmo, da chuva, dos vagalumes, das folhas, do bosque. Do coração que canta. E quando você canta, eu, coração, inteira. Os mesmos que almas falam, almas veem, almas. E corpo, um só. Almas. Corpo. Se eu fosse esperta, como eu acho que sou. Não estaria aqui. Desse lado. Estaria ai. Dentro.
segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012
Formatar de novo.
Sofro de excesso de palavras. E nada em excesso pode ser bom. Porque não cabe aqui. Dói. Palavras falam. Não há silêncio quando há palavras. Mesmo que a palavra seja silêncio. Mesmo essa, fala. Queria fechar os olhos, tirar a roupa, despir o ego e ouvir meu coração bater em silêncio. Queria me reduzir a essência e de novo partir. Não ao contrario, não queria que a busca de uma vida fosse pela essência do que sou. Porque sou, ou fui, antes do caminho. E só depois, perdi pelo caminho o que fui ou sou.
Queria ser simples. Muito simples.
Queria formatar de novo.
Queria ser simples. Muito simples.
Queria formatar de novo.
domingo, 11 de dezembro de 2011
- Estrelas.
- Onde?
- Ali - ela apontava o céu com seus dedinhos.
- Desde quando estão ali?
- Acho que sempre estiveram.
- Não é possível, eu as teria visto.
- Eu só as vi hoje, mas sei que sempre estiveram lá.
- Como sabe?
- Sabendo, ué.
- E porque nunca as viu?
- Estava preocupada olhando pro chão.
- ...
- É engraçado, olhei enquanto rezava.
- Rezava pra quê?
- Pedia ajuda para encontrar o caminho.
- Que caminho?
-
Calou-se, não sabia a resposta.
domingo, 27 de novembro de 2011
sábado, 26 de novembro de 2011
O Bom Senso, a saída e o óbvio.
Voltar nunca é fácil, mas pode ser a única saída.
Principalmente quando parece não haver outra saída.
Pensamento redundante, sair pela saída.
Mas nem sempre o óbvio é fácil.
Não é bom senso, aliás, bom senso é sempre um pouco triste, talvez por não ser nunca ótimo.
Queria ser intensa, mas por hora, basta-me voltar, achar a saída e ser boa, não ótima.
Principalmente quando parece não haver outra saída.
Pensamento redundante, sair pela saída.
Mas nem sempre o óbvio é fácil.
Não é bom senso, aliás, bom senso é sempre um pouco triste, talvez por não ser nunca ótimo.
Queria ser intensa, mas por hora, basta-me voltar, achar a saída e ser boa, não ótima.
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