sexta-feira, 10 de julho de 2009

O Lobo Bom

A Mesa Literária com o Lobo Antunes foi de uma beleza comovente ... queria conseguir traduzir em palavras, mas acho que não conseguiria me exprimir de forma adequada ... sai de lá impactada pela contundência de suas histórias, suas metáforas ... tão lindas. Eu não queria reproduzir aqui o que se pode encontrar de forma brilhante na cobertura da Flip, nem sei fazer esse tipo de coisa, mas queria conseguir compartilhar a comoção que me tomou ...
Sua fala foi um passeio por suas memórias afetivas e literárias. "O Brasil não é um país, são cheiros, música, livros, poesia ... é a minha origem .. " enfim, o Brasil de seus avós brasileiros.

E continua, falando de literatura com paixão e exprimindo-se com imagens belíssimas.
"O livro é um organismo vivo ..."
"Um bom livro se faz sozinho. Só o que você tem que fazer é tornar sua mão feliz. Se a mão está feliz, o livro sai fácil.”
“Todo grande livro é uma profunda e constante reflexão sobre o ato de escrever."
"O Livro inteiro tem que ser uma enorme metáfora"

Citando um livro que gostou diz: "É uma prosa maravilhosa, como se a mão estivesse cheia de dedos mindinhos, então, todos os dedos dele são mindinhos quando escreve"

Ao final, foi aplaudido em pé, e quando o público já estava deixando o local ele voltou e disse:
"- Eu queria antes de ir embora agradecer pela maneira extraordinária, a generosidade, o carinho e a ternura com que me receberam aqui. Deus vos pague!"

...sem palavras ...


vale a pena assistir: http://www.youtube.com/watch?v=I1rLwKHE_74

quinta-feira, 9 de julho de 2009

As Pedras do Caminho

Percebi que há dois tipos de pessoas em Paraty: as que andam olhando para baixo, tentando se equilibrar nas pedras e as que simplesmente, andam. É bonito de ver as que simplesmente andam. Segundo um amigo há também as pessoas que cortam caminho. Quanto a essas nada posso dizer.

Ao meus companheiros de Flip

OBRIGADA.

Percebi em determinado momento da noite que eu estava compartilhando a mesa com as duas únicas pessoas no mundo que me leram. E nesse breve espaço ... dois mundos em que eu existia de modo tão diverso, uniram-se em um só. Enfim, uma para todos!
mesmo que breve, mesmo que embaraçada ... uma!

Vim, Vi e Amei!

Há anos namoro a Flip à distância ... e finalmente rompi minha inércia e fui. A-M-E-I.

Enquanto eu estava em Paraty queria desesperadamente escrever, afinal lá as palavras pairam no ar, basta esticar os braços para alcançar poesia ... mas eu não tinha um computador ...

Cheguei transbordando palavras por todos os meus poros, louca para escrever ... corri para minha mesa e ela estava vazia .... meu computador estava sendo reformatado.

Meu computador voltou.

E as palavras já estão gritando dentro de mim e eu não tenho outra alternativa senão colocá-las para fora em uma sequência frenética de postagens.

terça-feira, 7 de julho de 2009

A Morte da Personagem

Ela se viu parada na esquina da Praça da Matriz, nas suas costas as águas, ao alcance dos seus olhos uma baleia branca e ao seu lado alguém que lhe garantia que somos muitos mais que essência, somos também um corpo. Dizia isso tocando a mão dela, talvez para se assegurar do que falava. Durante aquele breve espaço de tempo entre o encontro na ponte e a despedida na Praça, ele havia dito várias vezes com ar de satisfação e até com um certo alívio: - você existe.
Era fato, ela existia, e estava ali postada na frente dele. Imersa em si mesma, imersa em seu corpo decarneeosso, com um coração que aquela altura batia descompassado.
- você existe ... ela aquiescia tomada subitamente por um tristeza doce e ácida, sabia que o fato dela existir e estar ali vestindo seu corpo significava a morte de alguém que ela amava, mas ele estava tão embevecido por ela existir que não viu ... nem ela. Foi só após alguns dias e um punhado de acidez desnecessária que ela percebeu a dimensão caótica de existir. Existir, enfim, não era o oposto da morte, como ela pensara, existir era um intervalo entre dois pontos, um milhão infinito de nuances, entre o preto e o branco.

http://claricenajanela.blogspot.com/2008/11/personagem.html

segunda-feira, 22 de junho de 2009

... com um toque de dalí...

Ela passou o dia ruminando um sentimento, vaca de si mesma. Achou graça da imagem de si, vaca. Cílios longos, malhada, mastigando o tal do sentimento feito capim gordura. E nada de sentimento dar a cara. E nada de conseguir botar nome naquele bolo de capimsentimento, sentimento ruminado. Ela, vaca de si, ruminando o sentimentocapim, esperando pela metaformose que fará dela pessoa de si, mastigando o sentimento, em meio a saliva doce, depois do vinho rubi. Ela, pessoa de si, com o sentimento na mão esquerda, na outra mão a taça de vinho. Ela, pessoa de si, rindo da vaca, tão mais (sur) real. Ela, não mais vaca, não mais pessoa, só sentimento de si.

sexta-feira, 19 de junho de 2009

Nesses dias frios só quero saber de ficar sentada bem quieta no sol. Fecho os olhos e deixo o sol aquecer cada pedacinho do meu corpo. É engraçado, quando eu fecho os olhos o sol parece mais forte. Ilusões da não-ótica!

quinta-feira, 11 de junho de 2009

Para Viver um Grande Amor

"Era isso, ela sentia e por sentir desejava mais, desejava mais palavras, desejava mais amor. Queria afogar-se naquele amor que não era seu, que não era para ela, mas que dele foi vítima, vítima de algo que foi maior do que a história de amor deles, o amor sobreviveu alheio ao fim da relação. O amor venceu por não estar enclausurado nas pessoas, o amor sobreviveu pelas palavras. Ela descobriu sem querer a fórmula do amor que fica, do amor que dura, além das pessoas, além das conveniências, além das escolhas. Enfim, o grande amor."



http://letras.terra.com.br/vinicius-de-moraes/86815/

segunda-feira, 8 de junho de 2009

Um eu, muitas porções.

Tem certos dias, geralmente os nublados, que eu amanheço cansada. Mal abro os olhos e já desejo fecha-los. Abro a boca e desisto, finjo um bocejo, finjo... Meu cansaço não vem do corpo doído pelo sono mal dormido. Quem dera assim fosse, quem me dera assim padecer. O cansaço das manhãs nubladas vem da alma que já não se aguenta, coitada, contida. Sabe? Queria usar as palavras mais ácidas e áridas, não queria ser boazinha, sensata, gentil. Sou doce, impregnada da doçura que conquista, que agrada. Não, eu não queria ser agradável. Tem aqui dentro, bem guardada, uma porção selvagem, desagradável e sobretudo divertida. Diverte-me e, tenho certeza, poderia diverti-los também. Essa porção - que é muito mais eu do que esses eus que por aqui passeiam - diz o que pensa. Aliás, apenas diz, porque não pensa, não pensa como nós pensamos assim de pensamento na cabeça que fica o dia martelando. Não pensar pode pesar como um defeito, mas não é, ou é, e eu não me importo. Adoraria não pensar. Imagina um dia inteiro livre de pensamentos? Cabeça leve sustentando apenas o ser. Geralmente leio, pondero se essas palavras cabem aqui, escrevo para quem, afinal? Pondero, deleto, não digo, calo. Mas essa porção divertida resolveu que hoje não, e eu cansada demais para resistir, cedo, fecho os olhos, volto a dormir.

Explico que não sou eu esse eu que aqui escreve? Não, não explico nada ... assim é mais divertido...

sexta-feira, 5 de junho de 2009

estranho

Dias estranhamente mornos em meio ao frio intenso
Palavras estranhamente obliquas

Sentimentos estranhamente intensos
... largados
bem no meio
dos dias mornos e das palavras obliquas.