Eu também Só Sei Que Nada Sei ... sem pretensão alguma.
Sócrates já sabia disso há mais de 2.000 anos.
Será que não mudamos nada desde então?
Continuamos sem saber ... um dia saberemos?
sexta-feira, 24 de abril de 2009
sábado, 18 de abril de 2009
Ela e o Vento que Vem do Mar.
Ela caminhava lentamente, o lugar parecia deserto.
E o silêncio era quase absoluto, ela podia ouvir seus próprios passos e o vento. Ela gostava do vento manso, da brisa e até do vendaval.
E o vento brincava com ela, eram amigos, caminhavam de mãos dadas.
Nas noites quentes de verão, eram amantes.
Ela esperava na varanda, deitada na rede, fingia que dormia, ele chegava de mansinho.
Uma carícia.
Ela respirava fundo inalando seu cheiro.
Maresia.
Dentro dela suas águas cresciam.
Mar manso.
Ele então passeava pelo seu corpo, bagunçava seu cabelo, erguia sua saia.
Ela ria.
Ventava mais forte, mais forte, mais ... até ele estar por ela, envolvendo todo seu corpo.
E ela ventava.
Sua respiração ofegante era vento. Dentro dela, ele respirava seu ar.
Na hora de ir, dizia adeus com um beijo, brisa mansa em seu rosto.
Ela respirava fundo, retendo um pouco dele em seus pulmões.
*Aracati é o vento que vem do mar no nordeste, dizem que chega todos os dias na mesma hora e que faz com que as pessoas levem as cadeiras para fora de casa e esperem por ele, como quem espera um visitante.
E o silêncio era quase absoluto, ela podia ouvir seus próprios passos e o vento. Ela gostava do vento manso, da brisa e até do vendaval.
E o vento brincava com ela, eram amigos, caminhavam de mãos dadas.
Nas noites quentes de verão, eram amantes.
Ela esperava na varanda, deitada na rede, fingia que dormia, ele chegava de mansinho.
Uma carícia.
Ela respirava fundo inalando seu cheiro.
Maresia.
Dentro dela suas águas cresciam.
Mar manso.
Ele então passeava pelo seu corpo, bagunçava seu cabelo, erguia sua saia.
Ela ria.
Ventava mais forte, mais forte, mais ... até ele estar por ela, envolvendo todo seu corpo.
E ela ventava.
Sua respiração ofegante era vento. Dentro dela, ele respirava seu ar.
Na hora de ir, dizia adeus com um beijo, brisa mansa em seu rosto.
Ela respirava fundo, retendo um pouco dele em seus pulmões.
*Aracati é o vento que vem do mar no nordeste, dizem que chega todos os dias na mesma hora e que faz com que as pessoas levem as cadeiras para fora de casa e esperem por ele, como quem espera um visitante.
segunda-feira, 13 de abril de 2009
Eu sou.
E ela sabia, a certeza era tão grande que doía, e a dor se unia à outra, mas antiga, arraigada.
Ela já não era a mesma, a trégua terminara. Por quanto tempo pode-se fazer dormir as feras? Por quanto tempo pode-se negar a vida? E o que era essa vida, afinal?
Foram as escolhas, os caminhos. E por um tempo deu certo. Ela não imaginou que os acordos expiariam.
E agora, atônita, sentia. Sentia tudo que se negou sentir. Quanto mais seu corpo suportaria? Estava exausta do esforço intenso, tentava renegociar os prazos, mas não tinha certeza. E a falta de certeza era sua maior fraqueza e paradoxalmente, o maior trunfo.
Ela equilibrava-se dentro de si mesma. E a luta, a trégua, as negociações, os pactos, a entrega, os vencedores e perdedores estavam todos ali, no espaço limitado e ao mesmo tempo infinito; do ser.
Ela dizia: - eu sou.
E era.
E é.
(para sempre)
Ela já não era a mesma, a trégua terminara. Por quanto tempo pode-se fazer dormir as feras? Por quanto tempo pode-se negar a vida? E o que era essa vida, afinal?
Foram as escolhas, os caminhos. E por um tempo deu certo. Ela não imaginou que os acordos expiariam.
E agora, atônita, sentia. Sentia tudo que se negou sentir. Quanto mais seu corpo suportaria? Estava exausta do esforço intenso, tentava renegociar os prazos, mas não tinha certeza. E a falta de certeza era sua maior fraqueza e paradoxalmente, o maior trunfo.
Ela equilibrava-se dentro de si mesma. E a luta, a trégua, as negociações, os pactos, a entrega, os vencedores e perdedores estavam todos ali, no espaço limitado e ao mesmo tempo infinito; do ser.
Ela dizia: - eu sou.
E era.
E é.
(para sempre)
terça-feira, 7 de abril de 2009
As portas e suas chaves.
Algumas portas não podem ser abertas; ou não devem.
Mesmo tendo as chaves em suas mãos ela achou melhor mantê-la fechada.
Depois de tanto tempo nada de bom poderia sair de lá.
Elementar, meu caro.
Um adendo
A sozinhez (esquece esta palavra que inventei agora sem querer) é inevitável. Foi o que Alice falou no fundo do poço: "Estou tão cansada de estar aqui sozinha!" O importante é que ela conseguiu sair de lá, abrindo a porta. "A porta do poço!". Só as criaturas humanas, nem mesmo os grandes macacos e os cães amestrados, conseguem abrir uma porta bem fechada e vice-versa, isto é, fechar uma porta bem aberta.
Paulo Mendes Campos - do Livro o Amor Acaba - vale a pena ler.
Mesmo tendo as chaves em suas mãos ela achou melhor mantê-la fechada.
Depois de tanto tempo nada de bom poderia sair de lá.
Elementar, meu caro.
Um adendo
A sozinhez (esquece esta palavra que inventei agora sem querer) é inevitável. Foi o que Alice falou no fundo do poço: "Estou tão cansada de estar aqui sozinha!" O importante é que ela conseguiu sair de lá, abrindo a porta. "A porta do poço!". Só as criaturas humanas, nem mesmo os grandes macacos e os cães amestrados, conseguem abrir uma porta bem fechada e vice-versa, isto é, fechar uma porta bem aberta.
Paulo Mendes Campos - do Livro o Amor Acaba - vale a pena ler.
quinta-feira, 2 de abril de 2009
O Primeiro Bilhete
C,
E o jogo começou.
Siga meus passos, deixe seus rastros.
Não havia como ser diferente, não há sentido para nós que não seja nas palavras de nos encontremos de fato.
Esse é meu primeiro passo, escolhi criteriosamente, não sem paixão, não apenas pelas palavras, mas, e principalmente, pelas sensações que elas imprimem em nossos sentidos, quase se vê a boca, quase se sente o hálito, e sim, ficamos sem fôlego.
Já espero pela sua escolha, seus passos...
A.
---------------------------------------------------
Ela não sabia quantas vezes tinha lido aquele bilhete. Dezenas? Centenas? Como se a repetição fosse lhe trazer a revelação. Ela tentava beber as palavras, sorvendo uma a uma, aos goles, como quem degusta um bom vinho. Tentou também entornar todas num gole só, esperando que torpe pelo excesso pudesse entender. Ainda estava com sede, não havia entendimento e o mistério... ah! o mistério a deixava ligada.
(Clara encontrou o bilhete dentro de um livro na Biblioteca Pública, e com o tempo outros foram surgindo...)
E o jogo começou.
Siga meus passos, deixe seus rastros.
Não havia como ser diferente, não há sentido para nós que não seja nas palavras de nos encontremos de fato.
Esse é meu primeiro passo, escolhi criteriosamente, não sem paixão, não apenas pelas palavras, mas, e principalmente, pelas sensações que elas imprimem em nossos sentidos, quase se vê a boca, quase se sente o hálito, e sim, ficamos sem fôlego.
Já espero pela sua escolha, seus passos...
A.
---------------------------------------------------
Ela não sabia quantas vezes tinha lido aquele bilhete. Dezenas? Centenas? Como se a repetição fosse lhe trazer a revelação. Ela tentava beber as palavras, sorvendo uma a uma, aos goles, como quem degusta um bom vinho. Tentou também entornar todas num gole só, esperando que torpe pelo excesso pudesse entender. Ainda estava com sede, não havia entendimento e o mistério... ah! o mistério a deixava ligada.
(Clara encontrou o bilhete dentro de um livro na Biblioteca Pública, e com o tempo outros foram surgindo...)
quinta-feira, 26 de março de 2009
Coisas que começam pelo fim ...
- Por favor, responde! - ela pediu.
- Não consigo falar sobre isso. Não assim.
- Por favor, é importante - ela quase implorou.
- Não - e foi definitivo - Boa noite.
...........off line .............
Ela ficou estática, olhando para o monitor.
Não foram as palavras, foram as não-palavras.
Finalmente ela entendeu.
A revelação estava no silêncio, nas pausas, nas entrelinhas.
O mais estranho é que o entendimento não era consciente, as sinapses aconteciam alheias a ela. Ela sabia que estava próximo, quase podia ouvir seu cérebro trabalhando; e deixou que ele trabalhasse em paz. Foi dormir, feliz.
Rindo.
- Não consigo falar sobre isso. Não assim.
- Por favor, é importante - ela quase implorou.
- Não - e foi definitivo - Boa noite.
...........off line .............
Ela ficou estática, olhando para o monitor.
Não foram as palavras, foram as não-palavras.
Finalmente ela entendeu.
A revelação estava no silêncio, nas pausas, nas entrelinhas.
O mais estranho é que o entendimento não era consciente, as sinapses aconteciam alheias a ela. Ela sabia que estava próximo, quase podia ouvir seu cérebro trabalhando; e deixou que ele trabalhasse em paz. Foi dormir, feliz.
Rindo.
segunda-feira, 23 de março de 2009
Uma carta - fragmentos
A,
Parece magia ... de repente me senti nua. E imediatamente soube que estava sendo lida por você; e enquanto seus olhos miravam minhas palavras era como se a mim olhassem, mas eu não estava vestida, era só meu corpo nu e minha alma deliciosamente exposta. E então, você passou a me ler em voz alta e era como se sua boca pudesse me tocar e eu senti seu hálito morno no meu corpo nu. E seu hálito era como pequenas asas tocando-me em leves caricias e todas essas sensações me transportaram para Sonho de uma noite de Verão.
E foi ai que eu percebi que não eram minhas palavras que você desvendava ao me ler, era a mim. E eu me senti ameaçada pela exposição extrema, e ao mesmo tempo o medo me excitava e me fazia querer ainda mais que você me desvendasse, até não haver mais mistério. Até que estivéssemos plenos de nós mesmos e fôssemos, não algo a se encontrar, mas como se já fôssemos o encontro. E a sensação de repente em meu corpo ficou quase insuportável, de boa e ruim ao mesmo tempo. Uma explosão de asas e toques sutis, meu corpo já não me pertencia e minha alma agradecia por isso. Enfim, adormeci e sonhei com uma linda noite de verão.
Com amor,
C.
(a carta faz parte do livro que finalmente estou escrevendo)
Parece magia ... de repente me senti nua. E imediatamente soube que estava sendo lida por você; e enquanto seus olhos miravam minhas palavras era como se a mim olhassem, mas eu não estava vestida, era só meu corpo nu e minha alma deliciosamente exposta. E então, você passou a me ler em voz alta e era como se sua boca pudesse me tocar e eu senti seu hálito morno no meu corpo nu. E seu hálito era como pequenas asas tocando-me em leves caricias e todas essas sensações me transportaram para Sonho de uma noite de Verão.
E foi ai que eu percebi que não eram minhas palavras que você desvendava ao me ler, era a mim. E eu me senti ameaçada pela exposição extrema, e ao mesmo tempo o medo me excitava e me fazia querer ainda mais que você me desvendasse, até não haver mais mistério. Até que estivéssemos plenos de nós mesmos e fôssemos, não algo a se encontrar, mas como se já fôssemos o encontro. E a sensação de repente em meu corpo ficou quase insuportável, de boa e ruim ao mesmo tempo. Uma explosão de asas e toques sutis, meu corpo já não me pertencia e minha alma agradecia por isso. Enfim, adormeci e sonhei com uma linda noite de verão.
Com amor,
C.
(a carta faz parte do livro que finalmente estou escrevendo)
quarta-feira, 11 de março de 2009
Fazer ou não fazer sentido?
Eu queria desesperadamente fazer sentido,
até que li: "Quem faz sentido é soldado"
E agora, o que que eu quero mesmo?
até que li: "Quem faz sentido é soldado"
E agora, o que que eu quero mesmo?
quinta-feira, 5 de março de 2009
Declaração - parte I
Como eu pude subestimar o poder delas? Logo eu. Andei sem rumo por tanto tempo, negando quem eu sou, tentando arrancar de mim vestígios delas. Escolhi caminhos tão equivocados, cada vez me afastava mais, cada vez mais longe, longe de mim mesma. Neguei a força arrebatadora que elas sempre exerceram em mim. Fugi delas, enquanto fugia de mim mesma. Ficar sem elas era como ficar sem ar, como existir sem viver de fato, mantendo minha existência a apenas respirar, sem aspirar, suspirar, arfar.
Elas sempre mexeram comigo de uma forma visceral, com o poder de remexer minhas entranhas, de fazer meu coração disparar e meu sangue ferver circulando a toda velocidade.Têm a capacidade única de mexer em porções minhas intocáveis, porções que nem eu mesma conhecia. Tocam meu corpo e minha alma como nenhum amante ousou. Conseguem driblar as máscaras, os muros, as desculpas, as escolhas que fiz e chegar realmente até mim.
É tão óbvio, tudo tão claro agora, a luz me invade, meus olhos lutam para se acostumar... mas há em mim algo prestes a acontecer ...
Elas sempre mexeram comigo de uma forma visceral, com o poder de remexer minhas entranhas, de fazer meu coração disparar e meu sangue ferver circulando a toda velocidade.Têm a capacidade única de mexer em porções minhas intocáveis, porções que nem eu mesma conhecia. Tocam meu corpo e minha alma como nenhum amante ousou. Conseguem driblar as máscaras, os muros, as desculpas, as escolhas que fiz e chegar realmente até mim.
É tão óbvio, tudo tão claro agora, a luz me invade, meus olhos lutam para se acostumar... mas há em mim algo prestes a acontecer ...
sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009
Meu desejo de paz!
Tem dias que não consigo me conter, no sentido de estar contida em mim mesma, não caibo, sobra alma no corpo, falta calma, transborda. Queria exorcizar de mim o grande amor, o amante e o amigo, o emprego que não foi, o dom que não cala, a palavra que não diz. O vazio que não acaba, a paz que nunca chega. Queria exorcizar essas dores crônicas que por costume não se sabe mais viver sem. Queria fechar o olhos e não pensar, queria dormir e não sonhar. E logo eu que nunca escrevo em primeira pessoa, minhas palavras na boca alheia, para que eu, alheia a tudo isso, possa usar sua boca para encontrar a minhas palavras. Palavras definitivas para esvaziar a alma. Mas enquanto minha alma transborda a boca sussurra nos ouvidos alheios, aos olhos alheios, meu desejo de paz.
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