sábado, 26 de novembro de 2011

O Bom Senso, a saída e o óbvio.

Voltar nunca é fácil, mas pode ser a única saída.
Principalmente quando parece não haver outra saída.

Pensamento redundante, sair pela saída.
Mas nem sempre o óbvio é fácil.

Não é bom senso, aliás, bom senso é sempre um pouco triste, talvez por não ser nunca ótimo.

Queria ser intensa, mas por hora, basta-me voltar, achar a saída e ser boa, não ótima.

sexta-feira, 25 de novembro de 2011

Das linhas às entrelinhas.

É olhando pra trás que conseguimos olhar pra frente. Resolvi refazer meus passos, queria entender onde exatamente as coisas se perderam. Não, não foram as coisas, fui eu. Onde exatamente eu me perdi. Errei o caminho, peguei o desvio, escolhi o atalho errado.
Não poderia ser diferente, refiz o caminho pelas palavras. Essas palavras.
E ao percorrer o mesmo caminho com outros olhos, meu coração apertou. Percebi que em algum momento entristeci... entristecemos. Não sei precisar quando, mas o que foi chamado de esquizofrenia, na verdade, foi tristeza se instalando. Não percebemos de imediato.
Ao reler, quis desesperadamente reter todo sentimento, voltar no tempo, sentir as benções do antes, da descoberta. oqueéissoqueháentrenós? Queria ler em voz alta para que você escutasse ai. Queria de alguma forma alcançar o ontem, antes do desvio.
Tenho uma missão. E a minha matéria prima são as palavras. Refazer o caminho, explicar pra mim, entender, ler, reler, buscar respostas e fazer mil perguntas.
2011 ainda não acabou, e ao escrever em linhas tortas, espero chegar às entrelinhas.
voltei.

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

You are my sunshine.

Como é simples, pensou. Ela não entendia porque insistia em complicar. Ser feliz pode ser tão simples. Aspirou aquele cheiro, o cheiro dele. Fechou os olhos. Agora deu para imaginar coisas. Cheiros. Olhou ao redor, estava sozinha. O cheiro dele, saído sabe lá de onde, lhe fazia companhia. Nunca mais se sentiu sozinha, como poderia? Ele estava sempre com ela. Era uma presença concreta. Não conseguia explicar, as pessoas riam dela sempre que tentava. Sincronicidade era pouco, eles se ouviam e sentiam o que o outro sentia. Parecia piegas, mas não era. Era o que eles tinham. E, às vezes, por se ter, deixa-se de valorizar. Não que não valorizassem, mas é que o resto, o mundo, as dores, a falta ... começou a fazer morada no que tinham que mais sagrado, eles não perceberam. Até que um dia ela disse: é tão simples ser feliz, basta um olhar atento ao que se tem. Basta abrir o coração e sentir. Eles possuíam o que era mais difícil nesse mundo, quanto ao resto, dariam um jeito. Ela tinha certeza.

segunda-feira, 29 de agosto de 2011

No meio do praça e todo sentimento.

Ela estava sozinha, era uma praça. Uma praça em frente a um aeroporto. Poderia ser qualquer praça, de qualquer aeroporto, de qualquer cidade. Ela estava sozinha, é importante que você saiba disso. Sozinha no meio de uma praça. Ventava. E ela estava sozinha. Mas não chegou sozinha na praça, ela foi deixada ali. Seu coração quase não batia, porque era dolorido demais bater. Não havia como doer mais, mas doía. Cada respiração doía. Esqueci de mencionar, ela tinha um celular nas mãos, e no chão ao seu redor, seu sentimento se esvaia, como sangue. Ela sangrava. Não há palavra para verter sentimentos, ou há? Era amor. E o amor sangrava dela. Sangue é vital e aquele amor também. Se ela pudesse se ver de cima, como eu podia vê-la, teria visto um menina, vestida de rosa, com um celular na mão, olhando pro horizonte que se movia, cercada de sentimentos que vertiam do seu corpo, como se sangue fosse. Ela ficou ali parada por algum tempo, ninguém é capaz de precisar quanto, nem é necessário, porque o tempo naquele momento não era contado pelo relógio, nem um calendário do mundo seria capaz de precisar aquele tempo, o tempo do sangramento.
Ela ficou parada, olhando o horizonte que não se movia mais. No celular mensagens mandavam-a ir embora, e ela, obediente, foi.

Só hoje se deu conta... o sentimento, ficou ali, no meio da praça.


"Pretendo descobrir
No último momento
Um tempo que refaz o que desfez,
Que recolhe todo sentimento
E bota no corpo uma outra vez."


terça-feira, 9 de agosto de 2011

Será que a gente sempre se consola?

"- Adeus, disse a raposa. Eis o meu segredo. É muito simples: só se vê bem com o coração. O essencial é invisível para os olhos.
- O essencial é invisível para os olhos, repetiu o principezinho, a fim de se lembrar.
- Foi o tempo que perdeste com tua rosa que fez tua rosa tão importante.
- Os homens esqueceram essa verdade, disse a raposa. Mas tu não a deves esquecer. Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas. Tu és responsável pela rosa..."
...
- E quando te houveres consolado (a gente sempre se consola), tu te sentirás contente por me teres conhecido. Tu serás sempre meu amigo. Terás vontade de rir comigo. E abrirás às vezes a janela à toa,(pra ver a chuva) por gosto... E teus amigos ficarão espantados de ouvir-te rir olhando (os pingos) o céu. Tu explicarás então: "Sim, as estrelas, (a chuva) elas sempre me fazem rir!
E eles te julgarão maluco.
Será uma peça que te prego..."

*trecho do Pequeno Príncipe para me consolar.

domingo, 7 de agosto de 2011

Pra não esquecer.

Viver dói. Dói até deixar sem ar, sem chão. Até desconstruir certezas e verdades. Dói chorar sozinha na praça, quando o grito não sai. Dói ver a porta se fechando e ninguém saindo dela. Dói um dor quase insuportável. Dói a ponto de se rever tudo. E a dor traz algumas respostas. Já que vai doer viver aqui essa vida, que seja com você.

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

Entre pedidos, do café da manhã ao chá das cinco.

Não, eu não peço muito. Peço algumas palavras quentes nesse manhã gelada. E se elas forem entregues em conchinha com seu calor, muito melhor. Peço aconchego do lar, da chegada, depois do dia difícil. Da semana, do mês, da vida. Depois de uma vida, ou várias, a chegada em casa com a sensação de dever cumprido. Peço a reposta ou, ao menos, a pergunta certa. E não as inúmeras dúvidas que sempre me invadem entre o café da manhã e o chá das cinco. Não peço, mas desejo, a paz no coração. A paz de se saber, mesmo sem entender, porque saber pode bastar. Entender é sempre mais, por isso dói. Saber, hoje e amanhã, me bastaria. Pensando bem, eu peço demais.
Queria, então, começar de novo, assim, bem simples, despida, sem frio.
Sim, eu peço demais. Mas não custa nada me atender.

sexta-feira, 24 de junho de 2011

Non sense, at all.

Queria encontrar as palavras certas, as mais exatas, contundentes, precisas, algo que traduzisse para mim mesma o que sou incapaz de dizer. Ou entender. Entendo em palavras. Não sei você, não sei dos outros. Só de mim que sei. E, às vezes, nem. Quando olho para dentro percebo sombras, como letras boiando, sopa de letrinhas da infância. Um oráculo. Procuro respostas. Procuro respostas em todos os lugares por onde ando. Meus olhos, atentos, ao sinal, qualquer sinal, sinal de que algo faz, de fato, sentido. E meu corpo, como entidade autônoma, se move em direção a vida cotidiana. Adoro a palavra cotidianice, apesar de não gostar do que ela ultimamente significa. E minha alma, sempre fica onde não estou. Minha alma fica. Fica onde você está. Onde estamos. Mas, de que adianta um corpo sem alma? Uma alma sem corpo? De que adianta essas palavras sem sentido? De que adianta perguntas sem respostas?
Eu sei, nem sei, só sei que escrevo, porque é preciso. A vida? A vida não. As palavras, sim. Por isso escrevo. Porque não desisti, porque acredito, acho possível, viável, vivível, existe isso? Se não, deveria, porque a vida, às vezes é vivível, às vezes, não. Só vivo quando dá, no resto do tempo existo, ora corpo, ora alma, ora ambos. Mas, apenas, onde estamos.
Queria encontrar as palavras certas, com o grau de contundencia ideal, as palavras mais exatas, mais precisas, algo que traduzisse para mim mesma o que sou incapaz de dizer. Ou entender. Entendo em palavras. Não sei você, não sei o outro.