sábado, 30 de janeiro de 2010
Muito querer.
Eu queria ser disciplinada, usar meia calça e só sair maquiada. Eu queria ser vegetariana, andar descalça e usar bata. Eu queria aprender francês, italiano e javanês. Eu queria ler em braile, falar em libras e dançar tango. Eu queria ser sensata, usar franja e conhecer a França. Eu queria ter asas, escrever com pena e transar na sala. Eu queria escrever um conto, achar o ponto e indicar no mapa. Eu queria beijar na boca, brincar de louca e ficar rouca. Eu queria aplicar na bolsa, falar de futebol e entender de política internacional. Eu queria usar vestido sem calcinha, sentar de perna aberta e não perder a linha. Eu queria gozar à beça, dizer besteira e fazer a festa. Eu queria plantar baobás, escrever um romance e embalar uma criança. Eu queria não ter tantos quereres e sem querer ... eu queria ... adormecer.
sexta-feira, 29 de janeiro de 2010
Gentilezas 2
Eu ajudo duas instituições que atendem crianças.
Todo mês o mesmo motoboy vem buscar a doação. Hoje ele chegou, sorriu, me desejou feliz ano novo (- acho que não nos vimos ainda esse ano!), dei o dinheiro para ele e ele me deu os comprovantes.
Vi que ele me olhou com olhos que sorriam e disse:
- Se eu fosse seu pai te daria uma bronca agora.
[Fiz cara de oquequevocêdisse?]
- Porque você está descalça aqui fora.
Olhei para meus pés e ri.
Todo mês o mesmo motoboy vem buscar a doação. Hoje ele chegou, sorriu, me desejou feliz ano novo (- acho que não nos vimos ainda esse ano!), dei o dinheiro para ele e ele me deu os comprovantes.
Vi que ele me olhou com olhos que sorriam e disse:
- Se eu fosse seu pai te daria uma bronca agora.
[Fiz cara de oquequevocêdisse?]
- Porque você está descalça aqui fora.
Olhei para meus pés e ri.
Muito querer, quase sem querer.
Eu queria ser disciplinada, usar meia calça e só sair maquiada. Eu queria ser vegetariana, andar descalça e usar bata. Eu queria aprender francês, italiano e javanês. Eu queria ler em braile, falar em libras e dançar tango. Eu queria ser sensata, usar franja e conhecer a França. Eu queria ter asas, escrever com pena e transar na sala. Eu queria escrever um conto, achar o ponto e indicar no mapa. Eu queria beijar na boca, brincar de louca e ficar rouca. Eu queria aplicar na bolsa, falar de futebol e entender de política internacional. Eu queria usar vestido sem calcinha, sentar de perna aberta e não perder a linha. Eu queria gozar à beça, dizer besteira e fazer a festa. Eu queria plantar baobás, escrever um romance e embalar uma criança. Eu queria não ter tantos quereres e sem querer ... eu queria ... adormecer.
quinta-feira, 28 de janeiro de 2010
O carnaval chegando ...
"E eu que andava nessa escuridão
De repente foi me acontecer
Me roubou o sono e a solidão
Me mostrou o que eu temia ver
Sem pedir licença nem perdão
Veio louca pra me enlouquecer
Vou dormir querendo despertar
Pra depois de novo conviver
Com essa luz que veio me habitar
Com esse fogo que me faz arder
Me dá medo e vem me encorajar
Fatalmente me fará sofrer"
...
De repente foi me acontecer
Me roubou o sono e a solidão
Me mostrou o que eu temia ver
Sem pedir licença nem perdão
Veio louca pra me enlouquecer
Vou dormir querendo despertar
Pra depois de novo conviver
Com essa luz que veio me habitar
Com esse fogo que me faz arder
Me dá medo e vem me encorajar
Fatalmente me fará sofrer"
...
Filosofias sobre o ponto; o exato lugar do ponto final.
O ponto? O exato ponto?
É que a vida é assim mesmo, a vida como ela é,
e ponto.
Ponto final.
Não é?
É que a vida é assim mesmo, a vida como ela é,
e ponto.
Ponto final.
Não é?
terça-feira, 26 de janeiro de 2010
Sentir é isso ... simples assim.
Simples assim. E querer dar nome, rotular, entender, perguntar, esmiuçar é o contrário do simples assim. Sentimos tudo isso que não entendemos; simples assim. Queremos coisas que não entendemos; simples assim. Fazemos coisas que não entendemos; simples assim.
Quem é que disse que temos que saber tudo? Mas, no fundo, bem no fundo, no espaço em que é simples assim, nós sabemos. E é, por saber, que sentimos, mesmo sem achar sentido. Por Deus, como tudo isso faz sentido, bem lá no fundo, no espaço do simples assim. Faz sentido, não faz? Somos, afinal, de uma simplicidade explícita. Entendo, enquanto explico, só não tento explicar a gente, que pra isso não tenho outra explicação, a não ser: sentir é isso ... simples assim.
Quem é que disse que temos que saber tudo? Mas, no fundo, bem no fundo, no espaço em que é simples assim, nós sabemos. E é, por saber, que sentimos, mesmo sem achar sentido. Por Deus, como tudo isso faz sentido, bem lá no fundo, no espaço do simples assim. Faz sentido, não faz? Somos, afinal, de uma simplicidade explícita. Entendo, enquanto explico, só não tento explicar a gente, que pra isso não tenho outra explicação, a não ser: sentir é isso ... simples assim.
Tinha que ser o Chico.
Valsa Brasileira
Vivia a te buscarPorque pensando em ti
Corria contra o tempo
Eu descartava os dias
Em que não te vi
Como de um filme
A ação que não valeu
Rodava as horas pra trás
Roubava um pouquinho
E ajeitava o meu caminho
Pra encostar no teu
Subia na montanha
Não como anda um corpo
Mas um sentimento
Eu surpreendia o sol
Antes do sol raiar
Saltava as noites
Sem me refazer
E pela porta de trás
Da casa vazia
Eu ingressaria
E te veria
Confusa por me ver
Chegando assim
Mil dias antes de te conhecer
[Agora, me diga, Chico, como você faz uma coisa dessas??]
Composição: Edu Lobo / Chico Buarque
Vivia a te buscar
Corria contra o tempo
Eu descartava os dias
Em que não te vi
Como de um filme
A ação que não valeu
Rodava as horas pra trás
Roubava um pouquinho
E ajeitava o meu caminho
Pra encostar no teu
Subia na montanha
Não como anda um corpo
Mas um sentimento
Eu surpreendia o sol
Antes do sol raiar
Saltava as noites
Sem me refazer
E pela porta de trás
Da casa vazia
Eu ingressaria
E te veria
Confusa por me ver
Chegando assim
Mil dias antes de te conhecer
[Agora, me diga, Chico, como você faz uma coisa dessas??]
segunda-feira, 25 de janeiro de 2010
Para não esquecer.
"Não podemos crer na total transparência dos seres, é necessário aceitar que os outros tenham segredos, regiões de SOLITUDE. A maior prova de amor será colocar-se à distância e não querer ai penetrar."
(Cada vez mais eu entendo a dimensão dessas palavras)
(Cada vez mais eu entendo a dimensão dessas palavras)
domingo, 24 de janeiro de 2010
Olha, presta atenção, quero falar
Olha, presta atenção, quero falar. Na verdade estou tentando falar. Estou tentando resumir tudo em palavras, resumir essa pergunta oqueéissoqueháentrenós, e sabe? O resumo só não é possível, como também não cabe. Não há palavra para dizer. O jeito é sentir, sentir escancarado, sentir esse troço meio doce, amargo, agridoce. Sentir as borboletas que insistem em voar, todas elas, ao mesmo tempo. Sentir a chuva, lá fora e aqui dentro. Sentir os pingos, lá fora e aqui dentro. Não há jeito ou há? E o jeito que há... Não, eu não sei, estava aqui sentada, pensando e quanto mais eu penso, mais em sinto e o sentir cresce de uma forma que dói, mas não sentir também não é dor? Ou é oposto de tudo isso? A porta, sabe? A porta que abrimos, você escolheria diferente? Escolheria não abrir? A comoção das palavras, o arrebatamento das palavras é um caminho sem volta. Eu deveria ter avisado antes, mas como? Eu também não sabia. O que sei, nesse exato e preciso momento, é que as estrelas me mostram o caminho ... e nem é noite ainda.
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