segunda-feira, 21 de abril de 2014

A chave que faltava para encontrar a saída.



Sempre existe algo ou alguém que salva. Por caminhos tortos, desvios da rota, surpreendentes e imprevisíveis. Sempre acaba existindo um pouco de magia, de encantamento, mesmo que tardio. 
No lugar mais improvável, pode haver a chave que faltava para encontrar a saída. 
A vida, enfim, mais do que apenas, a vida, enfim.

sexta-feira, 18 de abril de 2014

Não posso abrir mão disso, me desculpe.


Sou apegada às memórias, cartas, bilhetes, e-mails, mapa astral, cartazes, mimos, histórias. Sou apegada a demonstrações de amor, mesmo quando o amor acaba. Guardo tudo. Gosto de baú, dedicatórias em livros, cartas manuscritas. Cartas amareladas com cheiro de ontem. Bilhetes em guardanapo, em papel de pão, papelão e até na mão.
Acho que guardar palavras, para um dia reler, é uma forma de sentir de novo. Palavra escrita (endereçada a mim, escrita para mim, escrita por mim) é algo precioso e sagrado e, nesse caso, sou possessiva, precisam ser minhas e morar comigo. Me desculpe, não possa abrir mão disso.

domingo, 13 de abril de 2014

Soneto

Por que me descobriste no abandono
Com que tortura me arrancaste um beijo
Por que me incendiaste de desejo
Quando eu estava bem, morta de sono
Com que mentira abriste meu segredo
De que romance antigo me roubaste
Com que raio de luz me iluminaste
Quando eu estava bem, morta de medo
Por que não me deixaste adormecida
E me indicaste o mar, com que navio
E me deixaste só, com que saída
Por que desceste ao meu porão sombrio
Com que direito me ensinaste a vida
Quando eu estava bem, morta de frio

Chico sempre Chico.

sábado, 12 de abril de 2014

ERROR OR NOT



Não sei. 
Não entendo. 
Não vi. 
Mas queria. 


foto: http://witchoria.com/

quinta-feira, 10 de abril de 2014

Beijo na boca



Quantas vezes me perdi na sua boca? Nem sei. Mas consigo me lembrar de todas as vezes que me achei no nosso beijo. Desde o primeiro, o beijo do encontro, do reencontro, do reconhecimento. Aquele beijo que rompeu crenças antigas e trouxe novas perspectivas, resgatou um ser. Talvez dois, ouso dizer.
O beijo que selava a paz, depois de cada briga. O beijo que trazia o ar, depois de cada ausência. O beijo entre os livros, sagrado. O beijo na Biblioteca Nacional ... sobre ele, nada posso dizer.
Esse espaço, como um portal, uma dimensão alternativa, uma ausência do ser/estar e ao mesmo tempo a presença mais maciça e real. Era esse o espaço do nosso beijo. Eu contida no seus braços, minha alma na sua boca. Seus olhos, por momentos, meus.
Outros tempos .... outras bocas ... outros beijos...
Mas o que é sagrado fica, mesmo que em outra vida.

sábado, 5 de abril de 2014

Quase um alívio...



Deixar ir e não lutar. A hora, o momento, o lugar para deixar ir é algo cheio de sutilezas. Linhas tênues separam o que deve ser desapego (deixe ir) e a falta de esforço ou dedicação por algo (você precisa lutar). Qual o momento exato para entender que é hora de partir? Qual o lugar mais apropriado para entender que não adianta reter? Na praça do aeroporto ou nas entrelinhas? Fica aquele gosto amargo na boca (e no coração) de não ter tentado mais uma vez, a última. Mil vezes, a última vez.
Chega um tempo que é sábio entender, mesmo sem querer, que quem quer, fica. Quem ama, cuida. Que palavras doces, são só, e tão somente, palavras doces. Nem verdade, nem mentira, apenas palavras.
O entendimento pode acontecer em qualquer lugar, até no hall de um edifício comercial. Entre o sentimento da perda e da falta de qualquer tipo de humanidade que o ato possa despertar, surge, como o riscar de um fósforo, uma luz, mesmo que fugaz, um calor, mesmo que efêmero, um cheiro...de alivio. Hora de parar de se debater e aceitar, é hora de deixar ir ...

quarta-feira, 2 de abril de 2014

From hell

- Eu estou precisando de ajuda.
- Ajuda em quê?
- Na vida.

Houve um tempo em que esse tipo de pedido de socorro seria suficiente. Dá para imaginar o grau de desespero da pessoa ao escrever isso?
Mas vivemos tempos novos ... tempo que ao deitar, depois de pedir socorro de forma tão veemente e receber silencio como resposta, a pessoa faz uma oração pedindo para morrer essa noite. Não acordar.
I quit at all, estaria escrito do bilhete.
Morreu de quê? perguntariam.
Morreu por que não deu conta da vida.

sexta-feira, 28 de março de 2014

Viver e não ter vergonha de ser feliz.




Vinho é um bênção. 
Vinho sozinha é ótimo.
Vinho acompanhada é melhor ainda.
Vinho bem acompanha, com bom papo e risadas é um quase um milagre.

(adoro esse lugar)

sábado, 22 de março de 2014

Ninfomaníaca e os hábitos que não percebemos nascer.


Não sei quando, nem onde, foi a primeira vez que fiz isso. Acho que, como muitas coisas, começamos sem ter a consciência do que estamos fazendo e só percebemos quando é tarde demais. Tarde, porque virou parte da gente. Tarde demais, porque passamos a gostar daquilo.
Quando gosto muito de determinado trecho de um livro, preciso ler e reler mil vezes e assim sentir o gosto de cada palavra de novo, talvez seja uma forma de reter a sensação que as palavras causam.
Como é uma particularidade difícil de explicar, faz parte dos meus momentos de solitude. Fazia parte dos meus momentos de solitude. Ou fazia, apenas por um tempo. Nesse tempo, me imaginava lendo um livro em voz alta para um observador de olhos tão incrivelmente perspicazes, a ponto de perceber no meu corpo (ouso dizer, na minha alma), apenas por olhar, o que essas palavras causavam. O fato é que nunca cheguei a fazer isso nesse mundo real. Ficou apenas nos meus pensamentos.
Mas um dia, no meio de uma livraria lotada, me peguei lendo em voz alta o trecho impressionante de um livro (talvez com  a intenção de fazer as palavras chegarem aos olhos incrivelmente perspicazes), e percebi que chorava, as lágrimas choviam, procurei um lenço e os óculos escuros na bolsa, enquanto me dirigia ao caixa.
E como disse, acho que a gente só percebe que "aquilo" se transformou em um hábito, quando já é tarde demais. ...
Hoje ao ler a coluna no Contardo Calligaris na Folha de São Paulo ... "nossa cultura sempre tentou encontrar, no corpo, o lugar onde se esconderia a alma", me peguei de novo lendo em voz alta... e imaginando olhos incrivelmente perspicazes observando do sofá.
Hoje, ao ler a coluna do Contardo Calligaris na Folha de São Paulo ....