sábado, 9 de abril de 2011

Não era só, mas era muito ... e por ser ...

Sentia em todo o seu corpo, toda ela, nele. E ela sentia. E por sentir, sabia, que era ele. Seu corpo todo, nela. Ele sabia. Sorriam, cumplices, profanos, sagrados, corpos. Não era só, mas era muito. E por ser muito, era. Ela era dele, inteira. E para ele sorria, de olhos fechados. Só ele sabia, só ele conhecia, seus caminhos, desvios, atalhos. Sabia onde acha-la, sabia como despertar no seu corpo, alma ... o ser que ali dormia. Não era só, mas era muito, e por ser muito, foi. E sempre será.

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

As explicações que não foram pedidas e que não serão dadas.

Além do que digo em meio às águas, existem as palavras que respiro, que engulo, que sussuro. Nem sempre falo o que sinto, nem sinto o que falo. Sou incoerente quando estou triste e quando sinto dor perco a lucidez. Aliás, a lucidez é um conceito que sempre me escapa. Acho que só estou lúcida quando imersa em águas que desaguam rumo ao (a) mar. Pingo a pingo, desagua ...

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Ou.

Ela queria achar um sentido nisso tudo, um fiapo de sentido já servia. Por mais que procurasse, não adiantava, nada fazia sentido nessa vida de coisas sem sentido, num mundo sem sentido. Mas, o que fazer, se no mundo sem sentido, na vida sem sentido, ela só fazia sentir??? Sentir de forma intensa, dolorida, visceral, como se ela fosse só um coração, sem corpo, ou um corpo só com coração. Não havia espaços vazios, ou, era feita de vazios. Extremos. Água ou fogo, vida ou morte, amor ou amor. Ela leu esses dias, tão bonito, lembra que sorriu ao ler .. que mesmo o amor que parece ódio, ainda é amor, mas que adoeceu gravemente. Ela adoecia gravemente, se sentia doente, sentia a vida deixa-la, ou era a morte? Extremos, lembrou. Ela queria ser, mas só fazia sentir e sentir não é ser, é só uma parte. E há tanto mais. Não, não há nada mais que amor. Isso ela sabia e sentia e doía. Como se respira mesmo? Não sabia mais, não queria mais...

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

Coisas que deixam feliz!

Não é preciso muito para ser feliz, bastam alguns lápis divertidos, um torpedo sacana, um beijo roubado no meio das árvores, um elogio falso ao novo corte de cabelo, um comentário preocupado com a saúde, um bilhete no carro, um coração desenhado a caneta, uma resposta direta a um e-mail sinuoso e mais do que tudo isso, um amor como esse.

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Pergunta

Nesses dias de chuva me pergunto: Por quem a chuva chora?

Queria chorar com ela, mas ai penso que já há água demais, não choro, fico olhando a chuva, que chora lá fora. Enquanto aqui dentro ...

domingo, 6 de fevereiro de 2011

Perdão.

"Preciso ficar quieta um pouco, cansei de falar demais, explicar demais, justificar demais, contextualizar, verbalizar, exemplificar, cansei de teorias que invento para mim mesma. Cansei das palavras..."

Foi um impulso, exaustão, cansaço de palavras em excesso. Mas ao reler suas próprias palavras, mal podia acreditar que tivesse escrito aquilo ... Cansei de palavras? Era uma blasfemia. Não se pode cansar de si mesma. Ela era as palavras. Mas o excesso estava lhe causando mal. Entendia agora o que desejava. Desejava ser simples, não burra, simples.
Sentimentos simples, teorias simples. Queria olhar e ver com simplicidade. Estava cansada de justificar seus atos, explicar seus desejos, traduzir em palavras para os outros o que nem ela mesma entendia. Queria a simplicidade pura - quero, não quero, sim, não, talvez - sem ter que explicar, justificar, verbalizar ... a vida, o dia a dia, e até, ousava dizer, os desejos, são simples.
Ela com suas palavras em excesso é que estava complicando. Não era necessário entender tudo, colocar legendas, traduzir para o idioma dos outros o que nem ela mesma entendia. Ela só precisava viver - sim, lógico, com as palavras - mais tudo na medida certa. Viver, caminhar, tomar decisões, fazer mudanças, sem legendar cada passo. E assim, por entender, em meio as palavras exatas, é que ela pedia perdão por dizer que estava cansada das palavras.

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

DESLEMBREI

Acho que não é pedir muito, eu só queria "deslembrar" do que eu sei.
Acordar um dia menos sabida, menos desconfiada ... menos.
Porque eu já sei, menos, na maior parte das vezes, é mais.

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

A raridade de todo dia.

Hoje é um dia especial, ela pensou. Mas sabia que esse conceito estava errado, todo dia deveria ser especial, pelo simples fato de ser único. E a raridade de acontecer apenas uma vez em cada existência já faz de um simples dia, um acontecimento. Pena não termos a consciência disso o tempo todo. Mas hoje ela queria celebrar, celebrar um momento de um certo dia, tão raro quanto o de hoje, um dia que ela ouviu seu coração e por ouvir ela soube, ela fez, ela foi, ela viu a chuva da janela e, olhos, lindos olhos, a viram pela primeira vez. E ela voltou a se ver, por ser vista, em um dia como hoje, tão raro, que também chovia.

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

Dentro da gente ...

Meu Deus, o que será que me dá?
É como a música do Chico, sempre me lembro dela quando me pergunto o que será que dá dentro da gente que não devia. Mas discordo, Chico, devia dar sim, todo dia. Sei que falamos de coisas diferentes, mas isso que dá dentro da gente que é feito um aguardante que não sacia, que é feito estar doente de uma folia, devia dar sim, sempre. Acho que o mundo seria melhor se todos já soubessem o que é isso que dá dentro da gente. É isso que dá dentro da gente, e atordoa, despenteia, faz suar, atiça, pertuba o sono, uma aflição medonha me faz suplicar ... E isso que dá e não passa e fica aqui dentro bagunçando tudo, mudando a ordem, revendo prioridades, faz o coração disparar, as pernas tremerem, o mundo parar ... dentro da gente...

sábado, 1 de janeiro de 2011

Um Pedido Público de Desculpas

O ano que passou foi difícil, corrido, frenético, com muitas coisas boas e outras nem tanto. Infelizmente não consegui dar conta de tudo e esse espaço acabou sendo negligenciado. Queria pedir desculpas aos amigos e blogs que deixei de visitar, palavras que gosto tanto que não consegui percorrer. É muito bom saber que minhas palavras são lidas, mas nem sempre consigo retribuir a visita, peço desculpas por isso também.

Hoje é o dia das promessas de ano novo, adoraria prometer que esse ano vai ser diferente, mas não sei se conseguirei cumprir, o que posso garantir é que vou tentar de verdade, de coração estar mais presente nesse espaço que é tão importante para mim.

Aproveito para desejar um super Ano Novo, assim do jeitinho que cada um quiser, com o cheiro, gosto, cor, tamanho, tudo sob medida que assim é melhor.