Ainda não, as lágrimas teriam que esperam mais. O telefone tocou, a porta bateu, o cachorro latiu, alguém chegou, o filho perguntou e as lágrimas foram adiadas mais um pouco. Quando eu estiver sozinha, ela pensou. E a vida seguia acontecendo.
Almoço servido, dentes escovados, filho na escola. Sozinha no carro. Agora! Alguém buzinou, a música tocou. O sinal abriu. O mundo andou. Choro foi de novo adiado. Mais tarde.
Estacionou no trabalho, sorriu para todos. Respondeu e-mails, abriu planilhas. Terminou o planejamento, fez uma reunião. Sorriu mais um pouco. Fechou o computador. Pegou a bolsa, deu o último sorriso e foi.
Entrou no carro, colocou óculos escuros, desligou o rádio. Desligou o celular. O sinal fechou. Ninguém buzinou. O guarda não multou e finalmente ela chorou.
Chorou sozinha, dentro do seu carro, sem música, sem testemunhas, parada na esquina.
O sinal abriu, alguém buzinou, o mundo voltou, ela chorou mais um pouco, mas no fundo, sorria.
sábado, 4 de setembro de 2010
sexta-feira, 3 de setembro de 2010
quarta-feira, 1 de setembro de 2010
A sabedoria que vem do coração.
"Amo como ama o amor.
Não conheço nenhuma outra razão para amar senão amar.
Que queres que te diga, além de que te amo,
se o que quero dizer-te é que te amo?"
Fernando Pessoa
Não conheço nenhuma outra razão para amar senão amar.
Que queres que te diga, além de que te amo,
se o que quero dizer-te é que te amo?"
Fernando Pessoa
quarta-feira, 25 de agosto de 2010
E fim. O fim do começo.
Todo fim é como um começo. Acaba-se para começar. É a tal da Roda da Vida que nunca tem fim. Então, o fim é o recomeçar. Fazer de novo. Abrir a porta depois da ventania. É manter a janela aberta, mesmo sem conseguir ver a paisagem lá de fora por causa dos olhos inundados. Você me devolve objetos que eu não quero. Eu devolvo, sem querer, objetos que você quer. Você me devolve muito mais do que eu sou capaz de entender. Não, não estou deixando as coisas mais difíceis, só estou falando ... falando para buscar o sentido, escrevendo para entender. Porque é isso o que eu sou, é isso que sei fazer... sou uma pessoa das palavras.
quarta-feira, 18 de agosto de 2010
A vida é o que acontece fora ou dentro dela?
... e ela disse: - tem a vida lá fora.
Foram dias difíceis, 10 dias. E ali, nos braços dele, os dias difíceis pareciam tão distantes. Todo o discurso pensado, ensaiado, mil vezes repetido para si mesma, simplesmente deixava de fazer sentido. As palavras que doíam nela, deixaram de doer, porque não seriam mais ditas. Porque aquilo, eles dois, fazia sentido, o oposto não. E ela estava de olhos fechados, sentindo seu cheiro, que tinha o poder de despertar nela sensações. Cada célula do seu corpo respondia a ele. E os pensamentos corriam soltos dentro dela. Pensamentos e sensações. Sensações no seu corpo. O toque de seus dedos era capaz de apagar dias difíceis. Ele a desvendara. Já sabia como percorrer seu corpo, já conhecia o caminho. E ela de olhos fechados, ria. Quando estava na boca dele, não era só seu corpo que ele tocava, era sua alma. Ele conhecia seu gosto, seu cheiro e conhecia sua alma, que nua se exibia. E tudo isso de corpo, alma, sensações, palavras não ditas, boca, abraços, poderes, caminhos ... faziam com que ela perdesse a noção do tempo, do espaço, do ser limitado.
Ela, em seus braços, era a vida que acontecia dentro. E só.
A vida.
e ela disse: - mas tem a vida que vive intensamente aqui dentro quando estou com você.
Foram dias difíceis, 10 dias. E ali, nos braços dele, os dias difíceis pareciam tão distantes. Todo o discurso pensado, ensaiado, mil vezes repetido para si mesma, simplesmente deixava de fazer sentido. As palavras que doíam nela, deixaram de doer, porque não seriam mais ditas. Porque aquilo, eles dois, fazia sentido, o oposto não. E ela estava de olhos fechados, sentindo seu cheiro, que tinha o poder de despertar nela sensações. Cada célula do seu corpo respondia a ele. E os pensamentos corriam soltos dentro dela. Pensamentos e sensações. Sensações no seu corpo. O toque de seus dedos era capaz de apagar dias difíceis. Ele a desvendara. Já sabia como percorrer seu corpo, já conhecia o caminho. E ela de olhos fechados, ria. Quando estava na boca dele, não era só seu corpo que ele tocava, era sua alma. Ele conhecia seu gosto, seu cheiro e conhecia sua alma, que nua se exibia. E tudo isso de corpo, alma, sensações, palavras não ditas, boca, abraços, poderes, caminhos ... faziam com que ela perdesse a noção do tempo, do espaço, do ser limitado.
Ela, em seus braços, era a vida que acontecia dentro. E só.
A vida.
e ela disse: - mas tem a vida que vive intensamente aqui dentro quando estou com você.
quarta-feira, 11 de agosto de 2010
terça-feira, 27 de julho de 2010
Dentro dela, onde o tempo e o espaço eram relativos.
Ela sabia que não havia distância, que o tempo era algo relativo. Lá, dentro dela, onde eles habitavam, o tempo, o espaço e o amor tinham uma medida diferente. Eles não contavam os dias pelo calendário e nem as horas pelo relógio. A medida para eles era outra. E só por saber disso é que a distância era possível. Só eles sabiam, só eles entendiam. Eram diferentes, possuiam algo que ninguém mais tinha. Sabiam que o que importava era aquele tipo raro de amor. Que traz a paz mesmo em meio a um vendaval. Que é porto seguro em meio ao mar revolto. Que o mais difícil eles fizeram, agora todo o resto parecia mais fácil, ou menos difícil. Ela confiava no que tinham. Porque o amor é um desafio. Amar de novo é sempre um desafio, até que um dia ... não precisa mais ser. E ela sabia, sentia ...
sexta-feira, 9 de julho de 2010
Sensato ou agradável?
Quando eu tinha 17 anos, alguém me disse que às vezes é necessário trocar o agradável pelo sensato. Na época me pareceu maduro. Acho que segui esse conselho algumas vezes na minha vida. Mas, ao repetir essa frase para mim mesma dias desses, fiquei pensando: trocar o agradável pelo sensato não é lá coisa muito sensata a ser feita. Aliás, sensato é um conceito que sempre me escapa. Talvez, sensato seja o oposto de razoável. Sensato seria escolher a vida.
sexta-feira, 2 de julho de 2010
Sabedoria que vem da infância
"O anel que tu me destes,
era vidro e se quebrou
O amor que tu me tinhas,
era pouco e se acabou."
era vidro e se quebrou
O amor que tu me tinhas,
era pouco e se acabou."
quinta-feira, 1 de julho de 2010
Em braile for you.
Eu quero explicar, explicar para que eu mesma possa entender. Porque as vezes as palavras ajudam, mas às vezes, só o corpo fala. Meu corpo fala, grita, pede, diz, implora. Eu sei que você ouve. Cada célula do meu corpo fala e cada célula do seu corpo responde. E eu me sinto viva como há tempos não me sentia. Sinto que sou mais que obrigações, tarefas, responsabilidades. Sou um corpo que sente. Tenho vida em mim, vida que você desperta. A consciência de que sou, traz sensações bem específicas, a respiração acelera, o coração bate descompassado, tudo treme, tudo se agita. E eu não consigo sair de perto do que me desperta tudo isso. Me faço em letras, todo meu corpo, para que você possa me ler. Códigos em braile. Você cegamente me toca e me desvenda.
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