quarta-feira, 25 de agosto de 2010

E fim. O fim do começo.

Todo fim é como um começo. Acaba-se para começar. É a tal da Roda da Vida que nunca tem fim. Então, o fim é o recomeçar. Fazer de novo. Abrir a porta depois da ventania. É manter a janela aberta, mesmo sem conseguir ver a paisagem lá de fora por causa dos olhos inundados. Você me devolve objetos que eu não quero. Eu devolvo, sem querer, objetos que você quer. Você me devolve muito mais do que eu sou capaz de entender. Não, não estou deixando as coisas mais difíceis, só estou falando ... falando para buscar o sentido, escrevendo para entender. Porque é isso o que eu sou, é isso que sei fazer... sou uma pessoa das palavras.

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

A vida é o que acontece fora ou dentro dela?

... e ela disse: - tem a vida lá fora.

Foram dias difíceis, 10 dias. E ali, nos braços dele, os dias difíceis pareciam tão distantes. Todo o discurso pensado, ensaiado, mil vezes repetido para si mesma, simplesmente deixava de fazer sentido. As palavras que doíam nela, deixaram de doer, porque não seriam mais ditas. Porque aquilo, eles dois, fazia sentido, o oposto não. E ela estava de olhos fechados, sentindo seu cheiro, que tinha o poder de despertar nela sensações. Cada célula do seu corpo respondia a ele. E os pensamentos corriam soltos dentro dela. Pensamentos e sensações. Sensações no seu corpo. O toque de seus dedos era capaz de apagar dias difíceis. Ele a desvendara. Já sabia como percorrer seu corpo, já conhecia o caminho. E ela de olhos fechados, ria. Quando estava na boca dele, não era só seu corpo que ele tocava, era sua alma. Ele conhecia seu gosto, seu cheiro e conhecia sua alma, que nua se exibia. E tudo isso de corpo, alma, sensações, palavras não ditas, boca, abraços, poderes, caminhos ... faziam com que ela perdesse a noção do tempo, do espaço, do ser limitado.
Ela, em seus braços, era a vida que acontecia dentro. E só.
A vida.

e ela disse: - mas tem a vida que vive intensamente aqui dentro quando estou com você.

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

Pedido

Queria um dia escrever assim...

Amor da minha vida,
Me guarde
Aguarde
Por mim.

terça-feira, 27 de julho de 2010

Dentro dela, onde o tempo e o espaço eram relativos.

Ela sabia que não havia distância, que o tempo era algo relativo. Lá, dentro dela, onde eles habitavam, o tempo, o espaço e o amor tinham uma medida diferente. Eles não contavam os dias pelo calendário e nem as horas pelo relógio. A medida para eles era outra. E só por saber disso é que a distância era possível. Só eles sabiam, só eles entendiam. Eram diferentes, possuiam algo que ninguém mais tinha. Sabiam que o que importava era aquele tipo raro de amor. Que traz a paz mesmo em meio a um vendaval. Que é porto seguro em meio ao mar revolto. Que o mais difícil eles fizeram, agora todo o resto parecia mais fácil, ou menos difícil. Ela confiava no que tinham. Porque o amor é um desafio. Amar de novo é sempre um desafio, até que um dia ... não precisa mais ser. E ela sabia, sentia ...

sexta-feira, 9 de julho de 2010

Sensato ou agradável?

Quando eu tinha 17 anos, alguém me disse que às vezes é necessário trocar o agradável pelo sensato. Na época me pareceu maduro. Acho que segui esse conselho algumas vezes na minha vida. Mas, ao repetir essa frase para mim mesma dias desses, fiquei pensando: trocar o agradável pelo sensato não é lá coisa muito sensata a ser feita. Aliás, sensato é um conceito que sempre me escapa. Talvez, sensato seja o oposto de razoável. Sensato seria escolher a vida.

sexta-feira, 2 de julho de 2010

Sabedoria que vem da infância

"O anel que tu me destes,
era vidro e se quebrou
O amor que tu me tinhas,
era pouco e se acabou."

quinta-feira, 1 de julho de 2010

Em braile for you.

Eu quero explicar, explicar para que eu mesma possa entender. Porque as vezes as palavras ajudam, mas às vezes, só o corpo fala. Meu corpo fala, grita, pede, diz, implora. Eu sei que você ouve. Cada célula do meu corpo fala e cada célula do seu corpo responde. E eu me sinto viva como há tempos não me sentia. Sinto que sou mais que obrigações, tarefas, responsabilidades. Sou um corpo que sente. Tenho vida em mim, vida que você desperta. A consciência de que sou, traz sensações bem específicas, a respiração acelera, o coração bate descompassado, tudo treme, tudo se agita. E eu não consigo sair de perto do que me desperta tudo isso. Me faço em letras, todo meu corpo, para que você possa me ler. Códigos em braile. Você cegamente me toca e me desvenda.

domingo, 20 de junho de 2010

Justifique a vida ...

São muitas as pessoas que me habitam. Tem uma que é boazinha, acredita, tem fé nas pessoas, é ingênua. Não fala palavrão, não maldiz a vida, nunca é irônica. Só diz a verdade.
Tem uma outra que diz verdades brincando, não é tão boa, mas não é má. Tem um pouco de fé e muito desconfiança. Acredita, desacreditando. Maldiz pedindo perdão à vida. Grita abafado. Engole lágrimas.
Mas há ainda, dentro de mim, uma outra, que questiona, que não aceita, que grita palavrões com Deus. Puta que pariu tá pensando o quê? Que não se conforma, que diz o que pensa, que não pensa quando diz. Que ferre sem remorso. Não sente culpa, nem dó, nem dor. Que busca desesperadamente um sentido em tudo isso. Um sentido em acordar de manhã, em abrir os olhos, em viver essa vida ...

"Será que existe alguém, ou algum motivo importante, que justifique a vida ou pelo menos esse instante??"

quarta-feira, 9 de junho de 2010

O Amor está no Ar.

Não sou ligada em datas de varejo, como dia das mães, dias dos pais etc. E como não sou ligada acabo não festejando (nem sendo festejada) como deveria.
No último dia das mães percebi que isso não era uma coisa boa, nem para mim, nem para minha mãe e muito menos para meu filho.
Agora com a aproximação do Dia dos Namorados me peguei pensando no assunto. Apesar de ser um data comercial, o amor está no ar. E promover o amor é sempre bom. Faz bem. Deixa o mundo mais bonito. Faz as pessoas desejarem o amor. Faz as pessoas festejarem o amor. E se tem amor, tá valendo.
Por isso ontem quando vi isso lá no Amor de Papelão - que é um blog lindo que promove o amor o ano todo - achei que era uma forma de fazer as pazes com as datas de varejo.
Eu vou mandar um recadinho, mande você também. Amar vale a pena, dizer que ama, mais ainda.

terça-feira, 8 de junho de 2010

Palavras borboletas

Eu olho pra dentro
E vejo palavras voando como borboletas
Elas não voam até mim
Elas voam em mim
Tenho palavras dentro
Mas nenhuma fora.