sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

Enquanto isso, nos braços de Morfeu.

Sonhei um sonho bom. Despertei impregnada de você, como se ao tocar em mim, minhas mãos pudessem alcança-lo. Acordei com seu gosto ma minha boca, seu cheiro estava no ar. E no meu coração a sua impressão digital. No sonho, quando eu fugiu, você ria. Quando eu voltava, me acolhia. E se eu chorasse, você acudia. E quando eu me entregava, você recebia. E me beijava e me bebia. Eu me doava e você me queria. Você estendia a mão e eu corria. Eu voltava e você pedia, dá logo a alma! Meu corpo inteiro só queria que o sonho ficasse. Mas quando eu fui ... você partia.

quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

Uma carta sem palavras.

Tão estranho não ser entendida, quando escrevo geralmente estou nua, dispo-me de mim mesma antes de deixar que as palavras me invadam. Tentei ler minhas palavras com seus olhos, em vão. Pra mim disseram a mesma coisa que queriam dizer, nada mais, nada menos. Nada estranho, nada hostil. Eu quase senti seus olhos fitando-me enquanto escrevia, olhos que querem enxergar além de mim, e que por isso, nem a mim enxergam. Ficou em mim um sentimento de inadequação, estranheza, quase vesti suas palavras ... Mas elas não me caiam bem, não eram meu número e mesmo assim a sensação persistia. Até que entendi, não sou eu.
Aquelas palavras hostis ficaram ecoando dentro dela a manhã inteira, na hora do almoço revolveu ir ao shopping. Foi direto para livraria e ficou zanzando por seus corredores sem rumo certo, parecia que procurava um livro, folheou vários, mas nenhum lhe disse nada, a resposta que procurava não estava ali. Quando estou triste gosto de ficar entre os livros, as palavras sempre me acolhem. E foi exatamente no meio desse pensamento que ela percebeu, ali no meio dos livros, no meio das pessoas, que ela tentava fazer as pazes suas próprias palavras.

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

Obliqua e Estranha?

Não era lá muito lisonjeiro. Estranha por ser diferente? Ou estranha pela estranheza que causava. Será que causava? Ou era apenas reflexo de suas palavras nos olhos alheios. As palavras tem essa peculiaridade, não são exatas, impossível não ler 2, quando se vê 2. Mas com as palavras, não existe essa exatidão. Olha-se personagem e pensa-se na sua própria concepção de personagem, somam-se a isso as suas expectativas em relação ao que gostaria de ler. O resultado é uma leitura tão pessoal quanto pessoal eram as motivações de ser algo além da compreensão. Acho que estou sendo obliqua. Percorro caminhos tortuosos para chegar aqui. Percorro explicações que não tenho para explicar-me. Talvez o obliquo seja como as reticências. Não há nada de dissimulado, ardiloso ... de través, talvez. Gosta da linguagem além da linguagem, das palavras nas entrelinhas, percebo que começo a me sentir confortável nesse espaço, talvez, afinal, estranha e obliqua seja um pouco lisonjeiro...

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

Esfinge ... finge.

Ela não era desvendável, simplesmente não era. Faltava a ela elementos básicos, fatos concretos, pistas a seguir. Mesmo para um observador mais atencioso. As peças não encaixavam. Ela não se importava, gostava de ser assim, essa era sua essência, o algo que a mantinha aqui. Ela era, e pronto. Mesmo faltando, ela era. E isso bastava. O seu enigma era a sua força. Uma vez ela achou que morria, naquela época ela não entendia. Ser desvendada não era como morrer. Ela finalmente entendeu, já era eterna, mesmo que por um segundo ou vários.

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

Poetizando o Cotidiano

Meu filho e minha mãe na cozinha da casa dela. O vento assobiando pela fresta da janela.
- Escuta! É o vento falando com a gente - diz a avó
O neto fica em silêncio, presta atenção no ruído e diz:
- Vó, eu não entendo, não falo "ventanês."

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

Linguagem das fotos, dos corpos e das bocas.

Mandei um e-mail para um amigo dizendo que estava com saudades e recebi uma foto como resposta. Há algum tempo li "O Corpo Fala" com o intuito de aprender um pouco sobre a linguagem corporal, o que as pessoas realmente querem dizer, mesmo quando não dizem, o corpo diz. Mas no caso da foto como resposta, confesso que o livro pouco me ajudou, não falava nada sobre a linguagem das fotos. Fiquei imaginando o que meu amigo quis dizer com a foto: "Estou bem, feliz, gordo e realizado. Viajando com minha esposa pelos rios da vida." Ou ainda: "Não tenho tempo para responder seu e-mail". Fiquei olhando a foto e tentado imaginar o que as palavras não ditas queriam dizer. Em vão. Respondi com outra foto. E fim.
Essa história me fez pensar em outra estória. Não sou observadora. Conheci uma pessoa esse ano (assim, pessoalmente!) e passei três horas conversando (com a luz do sol) e sou incapaz de dizer que roupa essa pessoa estava usando. A verdade é que o corpo não conseguiu me dizer nada, uma vez que não observei corpo algum, o diálogo se resumiu às bocas (aliás, era uma boca linda!). Devo admitir que gosto mesmo é de ouvir o que as bocas tem a dizer, mesmo quando não dizem.

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

Atos deliberados de uma pessoa nem sempre boa.

Ela não era má, em absoluto, não era uma pessoa má. Mas, de vez em quando, praticava uma maldadezinha ou outra. Não que achasse que era uma maldade no momento em que deliberamente estava praticando o ato. Nunca foi má com a intenção de ser má, mas de boas intenções, o tal do lugar (não vou divulgar o espaço aqui ), dizem que está cheio. Ela tenta ser nobre e praticar apenas atos de bondade, procura nunca fazer ao outro o que não quer que faça a ela e, sobretudo, não paga a maldade alheia com outra maldade. Mas, às vezes, ela não resiste, e pratica um ato vil pelo mais vil dos motivos: vingança. Manda as favas os bons sentimentos, dizem que tiro trocado não dói. Se não dói nela, tampouco doerá no outro. Ela nunca vai admitir, nem para sua própria sombra, o real motivo de praticar determinados atos, afinal, ela é uma pessoa boa, do bem, que pratica boas ações diariamente. Mas, no fundo, bem no fundo, ela sabe, e algumas pessoas (juradas de morte!) também.

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Confirmando o que você já sabe.

Assuntos pendentes, família me pedindo socorro, me pedindo conselho. Eu sem conseguir ajudar, queria poder, mas estava sem respostas. O que eu devo fazer? perguntaram-me. Falei com uma amiga, ela sugeriu um Centro de Umbanda. Sou espiritualista, mas caminho por outras bandas, por isso não conhecia o lugar. Topei ir. Ela já chegou me explicando os babados, e eu bem atenta tentando assimilar o lugar, as pessoas, as energias. Pegamos nossas senhas e aproveitamos o tempo para colocar o papo em dia. Anoiteceu. Lua cheia. Começou a sessão. Rolou umas coisas que não entendi. As pessoas cantaram uns pontos. Apareceram as ciganas. Todas lindas. Demorou muito, mas muito mesmo. Chamaram minha amiga, ela foi. Fiquei sozinha. Minha amiga voltou e eu ainda esperando minha vez. Pensei em desistir. Chamaram meu nome. Fui. Cigana tão bonita, falou assim: - Fia, é isso mesmo, é isso que está no seu coração. Você já sabe a reposta. O Caminho é esse. E não precisa ter medo, não vai acontecer de novo. Você só precisava de uma confirmação. Pronto, confirmei. Agora, pode ir.
Sorri, bati minha cabeça três vezes e sai.
...

Diz coração, em alto e bom som!

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

O absurdo, o concreto, o onírico e a imortalidade.

Não é que ela não tenha mais nada para dizer. Ela tem. Mas as palavras, as que a habitam, resolveram simplesmente ficar por lá. Não querem sair. Porque sair é materializar-se, palavras faladas, palavras escritas, palavras lançadas ao mundo real são concretas, mesmo sendo absurdas. O concreto e o absurdo lado a lado, chega a ser bonito de ver. Tem gosto de surreal. Eu gosto e ela também. Mas as palavras resolveram que não. Preferiram o mundo onírico da-não manifestação-física. E ela se calou por algum tempo. Palavras também tem seus caprichos, assim como ela. Algumas, mais danada, cansaram-se de habitar um corpo, aspiram à imortalidade. Também foi bonito de ver.