segunda-feira, 27 de julho de 2009

Mantra????

"Foi bom ter descoberto esse amor, estava faltando em mim, meio ao mundo louco!"

(Já faz um tempo que essa frase não sai da minha cabeça, fica às voltas, feito mosca, e sem mais nem menos me vejo repetindo essas palavras ... será um mantra? um ato falho? uma verdade?? - resolvi escrever para ver se ela sai de mim.)

domingo, 26 de julho de 2009

A ironia ...

Olha a ironia ... quanto mais verdade derramava por ai, mais ela mentia. Há uns meses quis a qualquer preço encontrar sua própria verdade, entrou numas de achar que devia sua verdade às pessoas. Nessa mesma época achava que se não fosse sua verdade integral, não seria nada. E nessa busca gastou tempo, energia e palavras, todas vãs. Chegou a dizer com sinceridade: - fui o mais verdadeira que consegui. Só percebeu ontem, o mais verdadeira que conseguiu era pouco, pouquíssimo. Em sua defesa devo acrescentar que até ela mesma acreditou. Ela é muito convincente, persuasiva mesmo, consegue convencer qualquer pessoa do que quiser. Sabe que tem esse poder e o usa a seu bel prazer. Ela realmente não se importa. Achava que se importava, mas percebeu que mentia. E agora é essa verdade que ela tem para dar, a maior de todas as verdades é a sua mentira. Mas, percebe aliviada que confessar que mente é a maior forma de ser verdadeira, caminhos tortos a levam adiante. Andou sumida de si mesma, errou o alvo, deu importância a quem não merecia, disse meias verdades e mentiras inteiras, mas todas sem intenção. Talvez isso a redima, talvez não, mas a verdade mesmo ... é que ela não se importa.



"A gente só mente para dizer a maior verdade" li isso na Velha Casa e essa verdade ficou ecoando dentro de mim ... até explodir nessa grande mentira ou grande verdade, nem sei mais.
Quanto mais me derramo em verdades, mais minto. Recentemente eu disse, assim mesmo com essas exatas palavras:- Fui o mais verdadeira que consegui. E, confesso, que no momento que disse, acreditava no que dizia. Paradoxal mesmo. Olha a ironia, percebi ontem ao ler a Velha Casa "A gente só mente para dizer a maior verdade", eu estava mentindo. Eu menti. As vezes nem eu acredito nas bobagens que eu falo, mas, na maior parte das vezes sou muito convicente. As pessoas, elas sempre acreditam em mim, irônico mesmo.

quinta-feira, 23 de julho de 2009

Ciúmes

É engraçado a forma que o mundo tem que me fazer pensar sobre determinado assunto, de repente me vi cercada por pessoas ciumentas ou

quarta-feira, 22 de julho de 2009

Ilha

Estou entre o mar e o rio, por definição, uma ilha, essa, conhecida. Apesar de me saber em uma ilha, me sinto por vezes no continente, cercada de terra e pessoas por todos os lados. E, em algum breves momentos em mar aberto, cercada por mim.

quarta-feira, 15 de julho de 2009

A arte de dizer coisas indizíveis é para mim o maior mistério e o maior prazer da literatura. Busco a Terra dos Livros Prontos* como os exploradores procuraram Eldorado.
Vou ali e já volto.


*Domingos de Oliveira disse que nem gosta de falar muito nisso, pois as pessoas podem pensar que ele perdeu juizo ... para ele o escritor só precisa ficar leve o suficiente para conseguir acessá-la, e é lá, na Terra dos Livros Prontos, que os livros moram.

http://www.youtube.com/watch?v=ZWye5Eqjfps e http://www.youtube.com/watch?v=v9x82yjwrQE

segunda-feira, 13 de julho de 2009

Manifesto em Defesa do Mundo - Parte 2

[Aquela não tinha sido uma experiência fácil, em meio a meia dúzias de palavras ditas, duas dúzias por dizer. Além dos gestos feitos, uma série de gestos contidos. Percebeu-se triste, fora contagiada pela tristeza que emanava de seu amigo? Ou aquela tristeza era sua mesma? Estava de fato triste, triste e cansada, sem nem ao menos entender o porquê ... Passou a noite sem dormir, elaborando um Manifesto em Defesa do Mundo. Imaginou-se discursando enquanto a névoa que encobria seu amigo se dissipava ... Ela diria: - O Mundo é esse lugar imperfeito, mas perfeitamente viável. Onde algumas pessoas fazem diferença, simplesmente porque resolvem fazer algo. É esse lugar onde há amor, doação e fé. Um lugar meio mágico onde corpos emanam um campo eletromagnético que interagem entre sim, complementando-se, alinhando-se, apaixonando-se. O Mundo é esse lugar onde há rio, céu estrelado, arco-iris, primavera, beijo na boca, cachaça, Manuel Bandeira, Vinicius de Moraes, Clarice Lispector e Kafka. Chocolate, orgasmo, estrela-do-mar, pó de arroz, laranjeiras, abraço, amigos, mesa de bar. Madre Tereza, Gandhi e Garrincha ... isso tudo no mesmo mundo. E ela diria muito mais ...argumentos elaborados que misturavam física quântica com poesia orgânica, história da humanidade com contos infantis. Mitos gregos com jogadores de futebol na final da Libertadores da América ... Mas ... ela não teve a oportunidade de dizer ... ainda!]

Manifesto em Defesa do Mundo - Parte 1

Foi caminhando pelos ruas de pedra de uma cidadezinha encantadora que ela percebeu que seu amigo estava seriamente desencantado e descrente com esse Mundo. Ela se preocupou, afinal, o Mundo é o nosso lar e estar no lar deve ser sempre reconfortante. Fez graça falando em nome da humanidade, não em causa própria, apesar de sentir desesperadamente vontade de fazê-lo, desejava enumerar razões de ordem muito pessoal para trazê-lo mais perto, queria dizer coisas sérias rindo, sobretudo poesia. Ou gritar palavrões terríveis, desses de fazer corar a tia, sabia que também poderia dizer docilidades acidamente só para chamar sua atenção. Mas ela não fez nada disso, ali naquele fim de tarde, limitou-se a olhar o rio e dizer algumas frases desconexas, ainda em nome da humanidade. Não era ela que falava, ou era, mas não exatamente o que queria dizer. Apesar disso, acreditava nas suas palavras, mesmo aquelas, mesmo as ingênuas que enalteciam o mundo. Só não conseguiu convencê-lo. E de repente se viu invadida por um cansaço enorme, estava confusa, com frio ... Caminharam mais um pouco juntos, ela não conseguia se concentrar em mais nada, não tinha mais argumentos brilhantes, via vultos ao seu redor e via seu amigo distante, mesmo quando seus corpos se tocaram em um brevíssimo abraço, caminhavam em direções opostas, lado a lado. Despediram-se, ela ainda com vontade de gritar obscenidades da forma mais doce possível. E ele? Ele ... procurava a Rua da Lapa esquina com a Rua do Comércio.

domingo, 12 de julho de 2009

Final de Flip

Por A.C.A.B.

(Uma contribuição de uma amiga que precisa entender que ...escrever é preciso!)

Final de FLIP, chovia e as pessoas se dispersavam, depois de dias e dias de saudável embriaguez literária. Estávamos, uma amiga e eu, na Tenda dos Autógrafos, ensaiando para também deixar aquele espaço de tanta poesia, tanta pulsação. A chuva, porém, nos fazia hesitar e por ali ficamos um tempinho, em frente a um espaço onde estava o grande jornalista Zuenir Ventura, autografando livros. Havia pouca gente no local, muitos já nem ligavam para o que estava acontecendo ao redor. Foi quando olhei para a fila de autógrafos e ali avistei a miúda Ministra Carmem Lúcia, do STF. É, estranhamente, uma Ministra da mais alta Corte brasileira postava-se em fila, como qualquer cidadão “mortal”. Fiquei olhando para aquela cena, pensativa, admirando o singelo gesto de civilidade e respeito ao cidadão, no país dos “acima da lei”, do nepotismo, da desfaçatez, da vergonha moral... Uma Ministra ousou ser igual a nós perante a lei e não se valeu de seu nobre cargo para dar um jeitinho e passar na frente dos outros. Ela estava ali, esperando, como todos os outros. Um exemplo tão pequeno, que passou desapercebido. Deixou-me, contudo, a sensação de que o Brasil não está de todo perdido...

sexta-feira, 10 de julho de 2009

Embriagada de poesia

Descobri que a poesia pode ser tão subversiva para o superego quanto beber a noite inteira, com a vantagem de não dar amnésia alcoólica.