quinta-feira, 13 de novembro de 2008

Nas pessoas.

Ela estava no meio da multidão. Depois de tanto tempo resolveu deixar seu exílio e de novo misturar-se às pessoas. As mesmas pessoas que ela evitou, desprezou, esnobou e finalmente, abandonou. Está certo, não são exatamente as mesmas, estão representadas, mas como na massa não há distinção, achava que serviam. Há na massa de corpos o calor, o cheiro e as palavras comuns. Esse conceito absurdo que a coloca acima da multidão é algo que ela mesma despreza, mas tem que confessar que julgava correto. Existe um ingrediente comum em toda essa gente, o mesmo que os iguala, o mesmo que ela detesta. Detesta iguais na mesma medida que os ama. É capaz de amar e odiar o mesmo objeto, no mesmo tempo e por razões díspares. Sente muito cansaço desses joguinhos, dessas caras e bocas tão comuns (e úteis) da multidão. Por isso preferiu o exílio, preferiu observar. O tempo passou e ela entendeu, que exatamente o que ela despreza é o que faz das pessoas, pessoas! Assim como ela, uma pessoa. E a diferença tão difícil de observar na massa pode ser observada, mesmo a olho nu, com um simples passo. E nesse momento existem dois tipos de pessoas: as que correm com um simples passo seu e as que ficam para rir da sua cara. É óbvio, quais pessoas ela prefere.

terça-feira, 11 de novembro de 2008

Depois das Férias: Prêmio Dardos


Cerimônia de entrega do prêmio, depois de desfilar soberana pelo tapete vermelho [P] é chamada para entregar o Prêmio Dardos para os indicados. Elegantemente sobe os degraus até o palco. Pega o envelope pink, lê e sorri. Parece que gosta do que lê e com voz aveludada diz: E a vencedora é ... (tocam os tambores) ... Clarice na Janela.

É isso que dá férias ... mente ociosa ... entregue ao dolce far niente ... deve ser o tal do ócio criativo, tive que rir da cena!

[P], adorei o presentinho, obrigada. Nada como voltar de férias e encontrar essa surpresa, me deixa imensamente feliz saber que posso tocar alguém com minhas palavras.


Recebi da [P] do Siga Aonde Vão Meus Pés o Prêmios Dardos. O prêmio Dardos tem como objetivo: "Reconhecer os valores que cada blogueiro mostra a cada dia, seu empenho por transmitir valores culturais, éticos, literários, pessoais, etc. Em suma, demonstram sua criatividade através do pensamento vivo que está e permanece intacto entre suas letras, entre suas palavras...". Para aceitar o selo deve-se citar e linkar o blog de quem recebeu, publicar a imagem do selo e repassar para mais 15 blogs.

E os meus indicados são: pelo visto fui contagiada pelo espirito subversivo de [P] ... corre que isso [P]ega

Carlota Joaquina frases curtas, mas que dizem tudo, imagens marcantes, humor ácido e delicioso. Vale dar um pulo lá.
Laudano e Absinto para ver se ele larga de uma vez o direito e vai viver feliz de violão.
O Ultimo Apague a Luz tanta suavidade, transborda poesia feita de fotos e palavras.
Poeta Mauro Rocha por seus olhos de poeta que captam poesia por ai pra deixar o mundo um lugar melhor.
Velha Casa por que sinto falta da doçura de suas palavras. Volte!

sexta-feira, 31 de outubro de 2008

Férias

Fui respirar lá fora e já volto!

sexta-feira, 24 de outubro de 2008

Quando não há definição possível

Como definir? Talvez realmente não houvesse definição possível. Ela sempre achou que em alguns casos, raríssimos casos, as palavras não bastariam. E diante dele, calou-se, não iria desperdiçar mais nada, nem suspiros, nem teorias, muitos menos palavras. Estancou. O coração batia descompassado. Será que ele conseguia ouvir as batidas do seu coração? Olhou para ele tentando encontrar um vestígio, qualquer sinal serviria de que ele estava ali, de que ele podia ouvir. Mas não achou. Ela sabia, mas não dizia, não iria dizer mais nada. Ele sabia, mas também não diria. E restava, naquele breve momento em que tocavam o infinito, o silêncio da cumplicidade. E isso, bastou.

terça-feira, 21 de outubro de 2008

Palavras alheias para falar de mim

Fiquei impressionanda e emprestei suas palavras:

"Quando viesse a escrever sua história, ela se perguntaria exatamente quando os livros e as palavras haviam começado a significar não apenas alguma coisa, mas tudo" ...
de A Menina Que Roubava Livros.

segunda-feira, 20 de outubro de 2008

A jornada

Acontecimentos cadenciados. Ela sentia cada um, e todos. Ela sentia com intensidade e quanto mais se entregava, mais sentia. E o sentimento já não cabia nela e com seu ritmo próprio crescia. E ela já não lutava, estava entregue e estava inteira no agora. O agora era o tempo dela ... "o tempo presente ... os homens presentes" ... Ela sabia que poderia ajudar, que poderia agir e que tinha o dom necessário para a missão que lhe fora confiada. Ela sabia que não podia mais esperar, que a hora havia chegado. Ela não temia. Não chorava. Ela queria. Ela queria a luta, a redenção, o encontro. Ela já tinha suas asas, tinha as palavras que serviam de escudo, de consolo e de morada. Não precisaria de nada além do que tinha, do que era e do que desejava. Esta pronta. Era a sua maior jornada. E sem olhar para trás, partiu.

quinta-feira, 16 de outubro de 2008

Nas palavras ...

Explícita era como ela se mostrava, não tinha pudor, era capaz de despir-se e nua exibir-se. Nas palavras podia encontrar-se e finalmente ser. Não precisava de máscaras, roupas, formas e rótulos. Podia simplesmente ser ela mesma. E isso era encantador. Nua em meio as palavras. O mundo lá fora não importava, nem os grandes olhos que a fitavam inquisidores, só ela podia tocar-se, estava protegida. Nua caminhava por suas páginas, algumas palavras traziam asas e então ela voava. Outras a levavam para o mundo dos sonhos e ela sonhava. As palavras mais ternas e faziam suspirar, guardava as palavras mais secretas para ouvir em sussurros. Algumas palavras podiam levá-la ao delírio, arrepios, gozo. Gostava especialmente dessas. Nas palavras ela não se escondia, permanecia explicitamente à mostra. Sirva-se, ousava. Sorria irônica por se saber intocável.

terça-feira, 14 de outubro de 2008

Resposta

Dizem que a pergunta certa pode trazer mais que a reposta, pode trazer asas ...

... da Imaginação
Mauro Rocha

Asas para que te quero??
Aonde me levas??
Por léguas e léguas
Minha imaginação
Asas do desejo
Do sim e do não
E pelos córregos e rios
Encontro o mar
E pelas montanhas e continentes
Um lugar para pousar
E minhas asas atravessam o horizonte
E essas asas...
Tenho aos montes
Asas de paixão
Asas que guardam segredos
Asas sem medos
Asas da imaginação
Asas do amor
Que guardo no coração...
Ai vem à pergunta:
-Com que asas eu vou??

(Não perca tempo e voe até a fonte: Poeta Mauro Rocha)

segunda-feira, 6 de outubro de 2008

Pegunta

Tem dias que me pergunto:

Com que asas eu devo ir?

quinta-feira, 2 de outubro de 2008

Entre definições.

Ela não sabia quem era, por isso resolveu buscar-se na definição dos outros, poderia achar algumas pistas. Muitas em vão, soube mais tarde. Os outras a chamavam e ela até respondia, mas como chamar-se? Isso era para ela ainda um mistério. Alienada. Talvez, lembrou de um livrinho que leu na época da faculdade - O que é Alienação? Mas a definição do livro não combinava com ela. Procurou outras. Mimada. Um pouco, mas insuficiente para definição. Bicho-grilo. Em alguns aspectos que contrastavam totalmente com outros. Não serve ainda. Irônica. Riu. Gostava dessa. Mas é impossível definir-se em uma só palavra, queria outras. Alucinada, atormentada e desesperada. Gargalhou. Mas, quem não é? Sexy, provocativa, misteriosa. Sorriu como Monalisa. Transgressão, disse uma vez um amigo. Gostava da palavra, gostava de vestir essa fantasia. Indefinida. Achou a melhor de todas, vestiu, serviu. Olhou-se no espelho e gostou do que viu. Finalmente definida.